“Ler não é Fundamental”?

Um título na capa da revista Galileu, que está nas bancas, chamou-me a atenção: “Ler não é fundamental”. Eu, que passei a vida lendo, fiquei curiosíssimo e já me sentindo um otário completo. Pois bem, cheguei à reportagem, disponível on line, e respirei aliviado após sua leitura. Eis o que diz a reportagem, que recomendo seja lida integralmente no link que indico no final:

“LER NÃO É FUNDAMENTAL

Para os franceses Pierre Bayard e Daniel Pennac, ler um livro da primeira à última página não é necessariamente uma virtude. É melhor passar os olhos pelo título e a orelha, pular as páginas ou deixá-lo pela metade, dizer que leu tudo e ainda ter discussões filosóficas sobre seu conteúdo. “Ser culto é ser capaz de se orientar rapidamente em uma obra, e essa orientação não implica sua leitura integral”, afirma Bayard em seu livro Como Falar dos Livros que não Lemos?.

Bayard é psicanalista e professor de literatura da Universidade Paris 8, na França. Sua bandeira é dizer que a leitura passa por meios-termos como deixar o livro fechado, ouvir falar sobre ele, percorrer suas páginas… O escritor francês Daniel Pennac também luta pelo direito à não-leitura. Seu ensaio Como um Romance explica que é o “ter que ler” que afasta os leitores. “Temos o direito de não ler, de pular as páginas, ler qualquer coisa ou não terminar um livro”, diz Pennac. Faça um teste: experimente discutir com seus amigos Ulisses, de James Joyce. Provavelmente todos terão uma opinião formada, ainda que nenhum deles tenha lido de cabo a rabo o romance.”

Fico me perguntando como uma publicação que se quer “científica” tem a coragem de bancar os argumentos pífios acima. Pelo amor de Deus, vir dizer que ler apenas a orelha, pular as páginas ou deixar o livro pela metade, é mais importante do que ler todo o livro é de uma insensatez, de uma irresponsabilidade abissal.

Admito que, para aqueles que querem apenas fazer pose, ostentarem sua oca boçalidade, não seja mesmo necessário ir além da orelha. Mas, amigos, a leitura é o que há de melhor. E nenhuma reportagem irá me provar o contrário porque só eu sei o bem que ela me faz.

Link para íntegra da reportagem AQUI

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