Levino e o Jovens Escribas

Em meio às matérias de promoção do lançamento do último livro de crônicas – Dias Estranhos – do escritor Rodrigo Levino na mídia impressa de Natal há algumas semanas, um detalhe passou batido por muitos ou não gerou a notícia merecida. Em uma linha qualquer, ele comentou de sua saída do selo Jovens Escribas, do qual foi um dos mentores e conseguiu produzir seu primeiro livro, mesmo que com recursos próprios. Perguntei, e Levino respondeu:


Qual o motivo de sua saída do Jovens Escribas?
Rodrigo Levino: Desde o inicio do grupo eu nunca fui o que se podia chamar de mais atuante. Claro, participei de todas as ações como o lançamento dos livros em São Paulo, o Digiscritos, que foi um projeto bacana de reunir em CD textos de varios autores que faziam ou fazem parte da lista de discussão do grupo. Mas no geral sempre mantive algumas discordâncias, como por exemplo, o uso da lei de incentivo – mesmo reconhecendo que foi importante para o pontapé inicial (do meu livro não, Aos Pedaços eu banquei integralmente). Há um outro lado que é desconfortável falar até porque nunca foi discutido livremente dentro do grupo, que diz respeito ao projeto editorial em si. Os livros são bonitos, o projeto agrega mídia espontânea por se tratar de jovens, literatura etc. Mas no fim das contas, como escritores, até que ponto somos relevantes? O quanto somos importantes? O quanto a nossa obra se sustenta fora da análise da juventude, do projeto em grupo? São questionamentos que a medida que fiz pessoalmente, fui me afastando um tanto mais do grupo, até sair. Mas sem nenhum problema pessoal, longe disso.

2. Você achava que a imagem da mídia com relação a vocês era preconceituosa e via o selo como uma jogada de marketing mais do que como um projeto literário relevante?
Não preconceituosa, mas creio que houve esse questionamento no início que deixou de ser respondido pelo grupo, uma oportunidade de mostrar, não apenas declarando, mas com o conteúdo dos livros, que não se trata de uma jogada de marketing. Há um erro, ao meu ver que é na gênese: jovens. É um termo passageiro que quatro anos depois não se aplica sequer às nossas vidas. Já quase não o somos. Não posso dizer que foi preconceituosa, porque até hoje o grupo é bem aceito quando precisa divulgar alguma coisa. Mas acho que, para a própria auto-critica do projeto, padecemos do mal que padecem todos os autores locais: falta de critica especializada. Que parâmetro nós temos? A opinião dos amigos? Foi justamente por não ter esse projeto ideal, e se o tivesse nao saber se seria aceito – o que poderia soar pretencioso, afinal seria eu sozinho defendendo uma tese particular – que deixei o grupo. E pelo motivo de procurar quem banque as minhas publicações, esse também é primordial.

Como você gostaria de ver o selo e como ele está hoje?
Foi justamente por não ter esse projeto ideal, e se o tivesse nao saber se seria aceito – o que poderia soar pretencioso, afinal seria eu sozinho defendendo uma tese particular – que deixei o grupo. E pelo motivo de procurar quem banque as minhas publicações, esse também é primordial.

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