Liberdade para Polanski

“É uma pena que o Almanakito da Maria do Rosário Caetano, grande fonte de informação sobre cinema, circule só em lista restrita.

Nele me dou conta da gravidade que consiste na prisão de Roman Polanski na Suíça.

É um homem de 76 anos de idade, nessa altura, e não faz nenhum sentido, a não ser por puritanismo doentio, persegui-lo fora dos EUA, onde teria sido cometido o crime, há mais de 30 anos!

O crime, diga-se é de ter mantido relações sexuais com uma menor. Não entro no mérito da acusação, nem da defesa. Mas, caramba, todos sabemos que o mundo é um lugar impuro e é nele que Polanski vive, como réu ou como vítima.

É uma dessas coisas que não honram a América: esse espírito rancoroso que, de tempos em tempos, se levanta e pretende depor um presidente (Clinton) porque transou com uma estagiária, impor que Darwin é um idiota e que o mundo foi criado pelo bafo de Deus, ou ainda castigar um homem quase octagenário por um suposto crime de costumes, de mais 30 anos atrás.

Ora, das imoralidades americanas pelo mundo perde-se a conta. Não temos que ir muito longe. Basta ir ao Iraque dos tempos de Bush.

Mas, para falar a verdade, essa prisão revoltante também não honra nadinha a Suíça, aonde ele tinha ido para ser homenageado pelo Festival de Zurique.

Ora, Polanski passou pelo Holocausto, todos sabemos, ao qual sobreviveu. Sabemos também que a Suíça tem as mãos mais que sujas (ou, mais exatamente, seus bancos) nessa história de Holocausto. Então, que parem de encher e libertem Polanski de uma vez.” INÁCIO ARAÚJO

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