Lição de um velho marechal e herói soviético sobre golpe de estado

Na foto, Yeltsin e Gorbachev, os artífices das mudanças na URSS

Por Tácito Costa

“O maior problema não é afastar um dirigente indesejável. O problema é: o que fazer a seguir?” Da entrevista do Marechal Serguei Fiódorovitch, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da URSS, condecorado como herói, à jornalista Svetlana Aleksievith (Nobel de Literatura 2015), no livro “O fim do homem soviético – um tempo de desencanto”.

Um livro excelente, mas que leio (edição portuguesa, emprestada pelo poeta Demétrio Diniz) lentamente porque tenho dedicado a maior parte do meu tempo às leituras sobre a crise brasileira. Ao contrário de grande parte dos oniscientes comentaristas das redes sociais, que certamente são leitores ávidos e refinados, embora se limitem a vociferantes ensaios de três a cinco linhas acerca de… tudo.

As considerações do Marechal referem-se – olha só que coincidência – a um possível golpe de estado dos comunistas contra o presidente da URSS (1985-91) Mikhail Gorbachev, que comandava a Perestroika e a Glasnost. Impossível, portanto, não ser remetido a atual situação do Brasil. Pelo menos eu fui empurrado na hora ao agoniante cenário nacional.

Felizmente lá o golpe foi abortado por Boris Yeltsin e o povo nas ruas e o resto da história quase todos conhecem, o melancólico fim da URSS e da Guerra Fria.

Na maioria das vezes nós escolhemos os livros que iremos ler. Mas às vezes somos escolhidos por eles. Do ano passado para cá, a primeira situação ocorreu com frequência e abarcou obras de ficção e não-ficção, com forte carga política, que tratam da vida sob as ditaduras comunistas. Primeiro algumas de Herta Müller, ensaios e ficção, tendo como foco a Romênia, e agora este de Svetlana, voltado à antiga URSS.

Se os alienados que saem às ruas clamando pela volta da ditadura lessem, essas seriam algumas das obras que eu indicaria para eles. Falo dessas porque ainda estão frescas na minha cabeça. Mas, claro, existem abundantes produções, livresca e cinematográfica, sobre o golpe e a ditadura implantada entre nós em 1964, uma realidade mais próxima, geográfica e temporalmente.

Talvez, além da leitura fosse bom um estágio obrigatório em qualquer uma dessas ditaduras que ainda resistem no planeta, China, Cuba, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Zimbábue, Tailândia, Egito, Síria, Sudão… O perigo é que retornassem como pequenos ditadores e não como defensores da Democracia. Porque a estupidez não tem limites.

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