Ligações Perigosas 2016

Assisti na segunda feira à noite (4/1/2016) ao primeiro capítulo da minissérie “Ligações perigosas”, de Manuela Dias, com supervisão de texto de Duca Rachid, a partir de adaptação do romance “As ligações perigosas”, de Chordelos de Laclos, do século 18. Tendo como protagonistas personagens interpretados por Selton Melo e Patrícia Pillar, essa adaptação brasileira do célebre romance francês se passa no Brasil das primeiras décadas do século 20, tempos de belle époque, tem ótimo elenco, com veteranos e novos atores e atrizes, direção que começa com competência – direção geral de Vinícius Coimbra e de núcleo de Denise Saraceni -, e uma requintada direção de arte, embora tenha ocorrido alguns pequenos erros na reconstituição de objetos da época, que podem ser notados por uma olhar mais crítico, mas que não comprometem a qualidade final do produto. De modo geral, gostei.

O problema é que hoje você elogiar alguma produção da Globo corre o risco depois de se decepcionar pelo fato de a produção seguinte dos autores e diretores ser transformada em propaganda da direita neoliberal e golpista! Foi o que aconteceu com o autor, João Emanuel Carneiro, e a diretora Amora Mautner – filha do super democrata e admirável Jorge Mautner. Infelizmente, João Emanuel Carneiro e Amora Mautner, da ótima “Avenida Brasil”, telenovela que como todos sabemos agradou público e crítica do primeiro ao último capítulo, devem ter sido pautados ou então se pautaram para agradar a direita neoliberal e golpista e o resultado foi que nos primeiros capítulos colocaram um dos protagonistas da atual trama das 21 h, a decepcionante “A Regra do jogo”, num nojento e fascista jogo duplo, em que o personagem é bandido e simultaneamente um renomado defensor dos direitos humanos. A anistia internacional e outros setores ligados à defesa dos direitos humanos protestaram com razão. O telejornalismo da Globo, por sua vez, já está dominado e manipulado por um noticiário de direita e golpista, tenta disfarçar, mas é inegável e evidente a parcialidade e manipulação jornalística.

Apesar desses problemas políticos, torço, como democrata brasileiro, que a Globo consiga manter um bom padrão de qualidade na teledramaturgia, setor importante para a manutenção de empregos de roteiristas, atores, diretores, produtores, etc, além de ser também importante setor de exportação cultural brasileira. Como todos sabem, as telenovelas brasileiras – a maior parte produzida pela Globo – são vendidas e aplaudidas em vários países, de capitalistas – inclusive os EUA, de grande e inegável competência artística no cinema/indústria do audiovisual – a países socialistas como a China ou Cuba – esta última nação, agora a caminho de um socialismo de mercado ou de um novo tipo de capitalismo que tem importante tradição de inclusão social!

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