Limites do debate

TC

Esse rebuliço mais recente sobre o post de João da Mata me levou a algumas reflexões. Quem acompanha o blog desde o início sabe que polêmica aqui não é novidade. Já tivemos para todos os gostos e desgostos. E quanto menos idéias e conceitos e mais incivilidade e ataques pessoais mais comentários rendem.

Não surpreende-me, portanto, que assuntos que deveriam fomentar o debate, como por exemplo, o Fundo Estadual de Cultura (cito aleatoriamente e porque mereceu nossa atenção recentemente), não desperte interesse e rendam dois ou três comentários, quando muito.

Analisando a discussão sobre o post de João da Mata, um amigo falou-me da vocação de Natal para a intriga, a mesquinharia e a fofoca e que talvez seja por isso que determinados blogs e colunas sociais tenham tanta audiência.

Penso que o mal não está na cidade em si, mas nas pessoas, que são as mesmas aqui e em qualquer parte. Nesse contexto, é possível que um blog em Bagdá, com as características do SP, enfrente a mesma situação.

O fato é que é muito difícil um debate ou discordância intelectual neste blog não ultrapassar os limites da civilidade e sensatez e acabar em ataques pessoais. Salvo raras exceções.

Existem muitas rixas, e ódio também, entre leitores e colaboradores fixos e esporádicos. Algumas iniciadas aqui, outras são antigas e não sei a origem. Ao menor motivo, ou sem motivo algum, por mero oportunismo, elas afloram.

É elementar, mas às vezes, no calor da confusão, as pessoas esquecem, por isso relembro. Um texto não tem uma única leitura. Cada leitor o interpreta de um modo. Bem como comporta gradações cognitivas. Muitas coisas, conscientes e inconscientes, influenciam nossa recepção da leitura.

O que para alguns se apresenta como um texto mal escrito e confuso para outros comporta uma violência inaceitável. Cada um acha – e encontra – no texto o que pode e quer, desde que atenda aos seus mais declarados ou recônditos desejos.

É assim que uma homenagem, uma ode, uma carta, bilhete ou tweet para alguns não passe de gozação ou preconceito enquanto para outros são manifestações autênticas e meritórias.

Por isso, de um modo mais geral, reconheço legitimidade em todos os pontos de vistas. Mas procuro, na medida da minha compreensão, impedir os ataques pessoais, o que nem sempre tenho conseguido. De qualquer forma, chega uma hora em que ou isso é contido ou blog se transforma em um esgoto virtual.

Uma coisa nunca disse, mas acho que determinadas atitudes que tomei ao longo desses cincos anos como editor talvez deixem isso muito evidente (eu tinha escrito: “não tenho amigos em se tratando de editar/mediar o Substantivo Plural”), mas achei pesado e no fundo no fundo insincero, e reescrevo para o seguinte: esforço-me para não deixar a amizade e o afeto interferirem no modo como conduzo o blog.

Claro, sou falho e cheio de vícios, como alguns de vocês. Tenho minhas preferências e idiossincrasias, aquelas pessoas de quem gosto mais ou respeito. Mas na medida do possível, procuro ser justo, colocando a democracia e pluralidade do blog acima de minhas vontades pessoais.

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