Lirismo no Seis & Meia


Matéria publicada hoje no Diário de Natal:

Se o vento cantasse ele teria o som da voz de Renato Braz. Uma melodia uivante, suave, límpida. Lembra mesmo sons de natureza. Parece brotar do coração da floresta mais escondida. Qualquer semelhança com o virtuosismo vocal de Milton Nascimento é mero arroubo do acaso ou do ocaso. De certo, o palco do Teatro Alberto Maranhão estará mais lírico na noite de hoje. Para abrir esta edição do Projeto Seis & Meia, a potiguar Silvia Sol também conduz o lirismo aos agudos sonoros e aos ouvidos mais contemplativos.

Renato Braz volta ao Seis e Meia depois de novos trabalhos lançados e premiações conquistadas. Ainda assim, o intérprete de carreira alicerçada em bares da noite paulistana permanece um artista aclamado pela crítica e à margem da grande massa, mesmo com algumas décadas de estrada. Como um trovador solitário, Renato Braz faz da sua voz instrumento capaz de vencer qualquer barreira, mesmo a da mídia. Tem seu público fiel, que vibra ao escutar Anabela ou seus compassos caboclos de influência percussionista.

Desde o seu primeiro Cd gravado em 1996 ao último, em 2006, intitulado Por Toda Vida, Renato Braz mostra que sua voz é muito maior que qualquer troféu conquistado em premiações badaladas da MPB ou outra classificação para sua música. Está presente na sopa sonora raízes negras, a viola caipira, a música regional contemporânea e uma voz inconfundível – trilha sonora perfeita para os instantes no Cais do Porto e sentir as saudades de pedra de Fernando Pessoa. Renato Braz faz do simples uma harmonia complexa, ousada.

SILVIA SOL

Silvia Sol promete criar o clima ideal para receber Renato Braz e fazer da sua apresentação uma performance única. A cantora mantém a profusão de novas vozes femininas na música potiguar. E nos passos de Khrystal, Roberta Sá, Claudianne Antunes, Diana Cravo e outras, Silvia Sol empresta singularidade ao seu canto. As influências lírica das teorias musicais apreendidas na Escola de Música da UFRN estão presentes junto à versatilidade de um repertório variado e uma veia rocker herdada dos pais e evidenciada no início da carreira.

“As evocações musicais e de luz têm na própria ascendência um ambiente fértil para o nascer da cantora e compositora Silvia Sol”. É assim que se define a moça, filha de Reinaldo Azevedo (com particiçação na Banda Anos 60) e das referências de Sandoval Wanderley, Edvan Wanderley (Bobola), Genard Wanderley. Sílvia trabalhou com o violonista Paulo Brunis fazendo música ao vivo nos restaurantes Veleiros e La Cachette.

Há poucas galáxias fundou junto com outros idealistas o Movimento Popular do Sol (MPSol) para mostrar o trabalho autoral de músicos, artistas plásticos e performers de Natal. Sílvia Sol apresentou recentemente seu show “Uma Mulher Vestida de Soul” no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel e agora recebe o reconhecimento de produtores para um palco maior onde possa cantar os encantos, compondo e interpretando à luz de influências múltiplas: do samba ao jazz, com variações rítmicas na intensidade vocal.

No repertório atual ela interpreta suas composições e de artistas potiguares (Caio Padilha, Jack, Antônio Ronaldo, João Barra) e ainda aquelas consagradas nas vozes de Clara Nunes, Dalva de Oliveira, Roberto Correia, Décio Marques. O show traz os músicos Igor Rodrigues (Violão), Caio Padilha (voz, violão, rabeca, escaleta, percussão), Zé Fontes (Baixo), Sami Tarik, Vânia Maria, Camila Souza e Ana Clara nos vocais. Como músico convidado, Gilberto Cabral. A produção executiva é de João Barra.

Projeto Seis & Meia
Renato Braz e Silvia Sol
Início: 18h30
Informações: (3222-3669)
Ingressos: R$ 10 (inteiro) e R$ 5 (meia)

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