Literatura contemporânea brasileira

No Papo Furado, do poeta Jairo Lima:
www.kriterion.zlg.br/

De Felipe Pena:
Boa parte da literatura brasileira contemporânea presta um desserviço à leitura. Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação de sua vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado e pretensamente erudito, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade pessoal. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas.

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• O autor deste “conceito” não é chato, hermético ou besta. É simplesmente estúpido. Se os escritores o ouvissem teríamos uma porrada de paulos coelhos e nenhum Joyce, Niestzche, Montale ou Monteiro e, rigorosamente, NENHUM filósofo. Na alta literatura não há livro chato, mas leitor prequiçoso; não há livro hermético, mas leitor burro; não há livro metido a besta, mas leitor medíocre. Felipe Pena prefere acreditar que as uvas estão verdes a constatar que as raposas são fuleiras. Para um artista, ô Felipão, ganhar dinheiro é consequência, não escopo da obra. Êpa, falei “escopo”. Será que o hômi vai me achar hermético? Que pena, Felipe, falou, falou e só disse merda! Jairo Lima

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Donato Assis 7 de maio de 2010 13:47

    “Dona” Bárbara:
    Não há intolerância alguma no comentário de Jairo Lima à merda (realmente) escrita por Felipe Pena.
    É Pena que Lima não tenha sido mais incisivo, ainda, na sua rejeição da bandeira (?) da simplificação rasteira proposta por Felipão “pão-pão-queijo-queijo”, com o intuito de nos oferecer só o cocô dos pauloscoelhos (para quem gosta, é um prato cheio). A senhora gosta, Dona Bárbara?
    Então, fique com a barbárie literária…

  2. Nina Rizzi 7 de maio de 2010 10:56

    Jairo,

    sinto um parzer menso quando leio um poema, uma prosa, e dentro das figuras poéticas significâncias “herméticas”, quer dizer, quando no texto se encontram mileuma referências que só podiam ser notadas por quem mantém o espírito aberto e a sensibilidade formada em poesia.

    no seu texto, lembrei de uma vez, era diz das mães, e eu escrevi algo pra minha. ela disse algo como “que horror, menina, vc não sabe escrever! quem entende isso?”, é que ela gosta de versinhos sacais, do tipo “se amar é viver, vivo porque te amo”. pode ser o caso desse sujeito…

    um dos meus poetas preferidos é Manuel Bandeira. e um dia um poeta me disse que estava certo em tê-lo como guru poético: “ele é simples, pra iniciantes”. quanta asneira. são versos simples, no tocante aos sentimentos ali jorrados, comuns a todos nós. mas vá pegar um seu poema e escarafunchar, as palavras, as figuras e significâncias… é uma torrente de mitologia, medicina, arte poética e política, além da vida, é claro…

    por outro lado, o texto de Felipe me lembrou que também há os sujeitos que meus alunos chamam “fake”, quer dizer, falso. aqueles que fazem do dicionário o seu tabernáculo, apenas pra ostentar uma pseudo-erudição. não dizem nada com nada.

    ah, sim, gostei da sua página, mas não encontrei o campo dos comentários…

    um beijo.

  3. Bárbara 7 de maio de 2010 10:47

    Que intolerância, Sr. Jairo… Todos têm que ter o mesmo prazer, encantamento, compreensão ao ler um texto, seja de “alta” ou “baixa” literatura? Será que Felipe não é um leitor tão inteligente que não dá a mínima para as masturbações intelectuais desses escritores e filósofos, nos quais tantos buscam a verdade e a estética do mundo, esquecendo-se de si mesmos como grandes criadores e decifradores de enigmas? O prórpio Nietszche exortava o homem nesse sentido. E sua escrita é a linguagem da própria alma do homem simples e em grande sintonia com a sua própria existência. Acho que Felipe criticou a escrita racional e hermética; exterior e fria de uns bestões que se acham acima do comum, mas são incapazes de transcender a própria ignorância de ser.

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