Literatura e ambiente

Amigos e amigas:

O comentário de Cristovão Tezza sobre o sul estadunidense e a constelação de ótimos escritores ali surgidos (de Faulkner – foto –  a Williams e ainda mais) é uma tentação para nós, nordestinos: houve ótimos escritores em nossa região, de Graciliano Ramos a Gilberto Freyre e ainda mais; o nordeste literário brasileiro é o sul literário estadunidense?. Discordo da categoria “piores ambientes”, evocada por Tezza. Certamente, o sul estadunidense (e o nordeste brasileiro) possui/possuem um passado medonho que, no caso ianque, abrangia linchamentos de negros pelo fato de serem negros. Mas as outras partes de cada país, talvez até menos sofridas para o viver cotidiano dos menos poderosos, não se constituem exatamente em espaços edênicos e sua civilidade foi aliada, em muitos momentos da barbárie dos outros (vale lembrar os bandeirantes “paulistas” escravizando indígenas no “nordeste” colonial). E grande literatura surgiu, no caso brasileiro, também no “sul maravilha” (que abrange sudeste): estão aí Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e Sérgio Buarque, dentre tantos outros, para confirmar essa conclusão.

Prefiro pensar que boa literatura e grande arte em geral, em qualquer lugar, é a pedra no sapato dos dominantes e opressores. Será uma idealização minha?

Abraços a todos e todas:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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