Literatura e Universidade

(Ismael Nery, Retrato de Murilo Mendes)

O escritor Cristovão Tezza, que foi professor universitário até 2009, comenta, na FSP (2.8.2012), sobre a experiência acadêmica na vida de escritores: “O sistema burocrático cria uma rotina esmagadora para quem faz arte”. Acrescenta depois: “O duro é como fazer essa máquina pensar sobre ela mesma. É difícil porque ela fica na mão de instâncias sindicais, políticas.”

É muito salutar criticar a universidade e outras insituições (imprensa, publicidade, escritórios de contabilidade e outros). Prefiro quando isso não se confunde com a defesa do fácil, enfrentar regras dominantes é sempre difícil, sim.

Considerando que as universidades só existem através da ação de quem ali atua, não dá para colocar toda iniciativa nas mãos das instâncias mencionadas por Tezza. Na relação direta entre professores e alunos, não existe sindicato que possa interferir, exceto quando as partes se submetem a ele. E na produção de poemas, ficções, filmes e outras obras artísticas, o que funciona mesmo é engenho e arte, mais vontade de fazer.

Deixando de lado os ensaístas (Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Cândido etc), penso que autores como Haroldo de Campos, Murilo Mendes, Nelson Pereira dos Santos, Moacy Cirne e Roberto Santos souberam conciliar muito bem o trabalho docente na universidade com a produção artística de qualidade.

Seria deselegante comparar o trabalho deles com o de Tezza, não é mesmo?

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Gustavo de Castro 2 de Agosto de 2012 10:01

    Realmente, Marcos, fica deselegante comparar. Mas vc está certo: a universidade não é impedimento para a criação artística. Tezza largou a universidade pq ganhou – creio – três ou quatro prêmios seguidos, todos de 100 mil reais com O Filho Eterno. Nos dias atuais, Marcos, são muitos os poetas/escritores/cineastas professores: Eucanãa Ferraz, Antonio Cícero, Vladimir Carvalho, além dos que vc lembrou. Não li o artigo do Tezza, não sei quem ele cita, mas lembro imediatamente de dois grandes da literatura que largaram a academia para seguuir a literatura: Robert Musil e Ernesto Sábato.

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