Literatura nas escolas, um horror

Fernanda Torres, em Inocência, de Walter Lima Jr.

Um trecho no texto do crítico de arte Paulo Sérgio Duarte, na reportagem sobre Política Cultural do Prosa e Verso chamou-me particularmente a atenção (“Isso se aplica tanto à matemática quanto à literatura, que hoje por exemplo é ensinada muito mais numa abordagem histórica, de sucessão de escolas literárias, do que de maneira que desperte interesse pela leitura”.)

Na semana passada peguei a lista dos livros de literatura brasileira exigidos para 2011 pela escola de Clarice, 16 anos, minha filha. Entre eles, “Inocência”, de Taunay. Ela já tinha o livro e começou imediatamente a leitura, para se adiantar (são uns seis ou sete livros que ela terá de ler). Parou na terceira página, disse que não estava entendendo nada e que era muito chato.

Eu tive de concordar com ela e fiquei de conseguir o filme, dirigido pelo Walter Lima Jr., para amenizar o prejuízo. A Internet está cheia de resumos desses livros exigidos e não lidos e a maioria dos alunos se safa fazendo uso desses resumos.

Essa é a realidade. As escolas preferem deixar tudo como está, um modelo que é um gol contra a literatura. Muitos saem da escola pensando que literatura é uma chatice e jamais voltam aos livros.

Tentar chegar aos adolescentes com esse tipo de leitura é impossível, os meninos e meninas estão às voltas com o MSM, Facebook, Orkut, games, festinhas e com hormônios à flor da pele não agüentam uma obra como Inocência. (TC)

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