Literatura portuguesa

O texto abaixo eu escrevi ontem à noite. Não mudei nada. Relata minhas impressões do Encontro de Escritores.

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Cheguei à literatura africana no início dos anos 1990, com Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Li depois vários livros desse autor, romances e contos. Foi uma década de leituras de africanos e portugueses: Ondjaki, Agualusa, Herberto Helder, Inês Pedrosa, Sophia de Mello Breyner, Mário de Carvalho, Gonçalo M. Tavares, Miguel de Sousa Tavares, Lobo Antunes e Saramago.

Existe em Natal um grupo pequeno de leitores, do qual faço parte, que gosta e dialoga entre si sobre esses e outros autores. Entre eles, Woden Madruga talvez seja o que conheça mais as literaturas africanas e portuguesa contemporânea. O poeta Luís Carlos Guimarães era outro aficionado e atento leitor dessas duas literaturas. Dialoguei muito com ambos.

Lembro também de outros amigos que faziam parte da mesma “confraria”, como Nelson Patriota, Carlos Peixoto, Carlos Magno, Marjorie Madruga, Demétrio Diniz. Edilson Braga e Napoleão Paiva. Estou citando de cabeça, pode ser tenha esquecido alguém. Uns liam mais, outros menos, mas sempre havia alguma notícia sobre essa literatura cheia de vitalidade que chegava da África.

Por isso, não me foi nem um pouco estranha a participação na mesa redonda de ontem, no I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa, onde estavam os angolanos Ondjaki e Agualusa, mais os brasileiros Jorge Salomão, Paulo Markun, Paulo Araújo e Pablo Capistrano.

Tivemos uma conversa muito agradável, que extrapolou os limites do tema, Os Desafios das Novas Tecnologias na Literatura. Falou-se também sobre o fazer literário e a língua (acordo ortográfico, por exemplo) que se fala e como se escreve em países da África, Portugal e no Brasil.

Participei como mediador e acho que minha experiência como editor do SP foi muito útil. Tentei levar à mesa o clima de abertura e democracia que vivenciamos aqui. Não é fácil mediar uma mesa com tanta gente, mais os escritores convidados, com direito a perguntas, e uma platéia de mais de 200 pessoas. Felizmente, parece que deu tudo certo, pelo menos publicamente ninguém reclamou e eu saí com a sensação de ter pulado uma fogueira – rs.

Não pude ir nos dois primeiros dias do evento porque era no meu horário de trabalho e, para completar, minha chefe viajou e ficou mais complicado me ausentar. Mas gostei do que vi e ouvi ontem. Acho que o debate teve um nível muito bom e surpreendeu-me a quantidade de pessoas na platéia.

Juntando essa minha avaliação positiva com as de Lívio Oliveira e João da Mata, sobre os dois primeiros dias, e publicadas aqui, acho que o Encontro teve um bom saldo e plantou sementes que deverão germinar mais na frente. E mais importante, a Funcarte se mexeu na área literária.

Agora é torcer para que o encontro tenha sequência e mais importante, que seja feito um trabalho de base na formação de leitores e valorização da leitura. Esses projetos de base são quem justificam encontros como o EELP. Não adianta investir somente no grande evento, este deve ser conseqüência de um trabalho anterior na área, daí eu concordar com as observações feitas por Gustavo de Castro aqui no meio da semana.

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