Literatura potiguar

Sérgio Vilar me perguntou se existia literatura potiguar. Como não vi minha resposta na matéria que ele fez, (ele disse que não deu para entrar a retranca, tudo bem, o Diário de Natal anda mesmo meio esquisito) publico aqui com alguns acréscimos:

1. Existe uma literatura potiguar que se sobrepõe às demais. É o caso,
por exemplo do livro As Pelejas de Ojuara, do Nei Leandro (foto) que tem
visibilidade nacional, ninguém pode negar. A outro literatura visível
é a prosa do eterno Câmara Cascudo que, de tão incensado, está
afastando algumas pessoas, notadamente os jovens. Existe a literatura
de Pablo Capistrano, que é um autor publicado em editora nacional,
texto de comprovada qualidade.E rolando por baixo de tudo isso, como
seixos levados pelo rio, existem várias outras literaturas, algumas de
excelente qualidade, como a de François Silvestre, por exemplo, mas
não são visíveis aos grande público nacional. Nesse remanso vão
centenas de bons escritores, como Alex Nascimento, outro bom exemplo.
O restante é marginália, completamente desconhecida até do vizinho, do
companheiro de mesa de bar, do colega do trabalho, etc. E tem os medíocres que publicam por pura vaidade.

2. Não sou crítico literário, não diga isso. Crítico literário é
Antonio Cândido. O que faço é resenha de livros que, na maioria das
vezes, aprecio na primeira leitura. Gosto de dar dicas de livros.
Quase sempre sigo indicações das editoras, usando meu olho clínico. De
vez em quando erro na mira, mas tenho acertado alguns. Gosto também de
publicar entrevistas que, às vezes eu faço, ou as editoras mandam. Meu
objetivo maior é despertar o interesse pela leitura. Gostaria muito
que meu trabalho influenciasse os jovens a lerem mais. Considero Nelson Patriota e Tácito Costa dois bons críticos literários. Acho que Jairo Lima, se quisesse, daria conta muito bem desse recado. Alguns professores universitários também são bons críticos, como Tarcisio Gurgel, Humberto Hermenegildo e Ilza Matias, por exemplo.

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Comentários

Há 10 comentários para esta postagem
  1. Sérgio Vilar 18 de novembro de 2011 11:50

    Carlão, a retranca com sua opinião, a de Tácito, de Tarcísio Gurgel e Nelson Patriota foi cortada de O Poti (por falta de espaço) e aproveitada em matéria publicada quarta-feira, no DN. Alex disse aí que publiquei no blog. Nem lembro. Acho que não. Ando meio sem tempo. Mas se não publiquei, vai constar ainda, assim que voltar de Pipa.

    Valeu!

  2. carlos de souza 18 de novembro de 2011 10:51

    ah, Igor, eu também publico releases na minha coluna quando fico com preguiça de escrever.

  3. carlos de souza 18 de novembro de 2011 10:48

    assino em baixo tudo q foi escrito aqui nos comentários.

  4. Igor 18 de novembro de 2011 10:08

    Claro que você é um dos maiores críticos, esqueceu que é mestre em Literatura Comparada? Diferente dos que ficam lendo orelhas de livros e transcrevendo releases dos jornais. Além de um grande escritor.

  5. Marcos Silva 18 de novembro de 2011 8:05

    PS – Esqueci de indicar Jorge Fernandes, tão bom! E tem o povo novo surgindo, procurando. E tem o povo velho desconhecido.
    Reli a correspondência Mário/Cascudo. É muito bom ter contato com autores de peso antes da canonização. Mas virar cânon não acaba com seus enormes méritos.

  6. Lobo Errático 18 de novembro de 2011 0:38

    Percorro fronteiras em busca de uma “literatura” que se perca no mapa.

  7. Marcos Silva 17 de novembro de 2011 15:19

    Berilo Wanderley, Dailor Varela, Diva Cunha, Myriam Coeli, Paulo de Tarso, Sanderson Negreiros, Luís Carlos Guimarães, Marise Castro, Moacy Cirne, Newton Navarro, Zila Mamede etc (existem bons manuais sobre o etc, aconselho os de Tarcísio e Diva/Constância). Nísia e Auta, que não leram João Cabral, são conhecidas nacionalmente.
    Câmara Cascudo não é só incensado, vale a pena ler o que se escreve sobre ele – às vezes, muito contra ele. Quem tem preguiça de ler Cãmara Cascudo e outros autores importantes não comete nenhum crime, apenas é preguiçoso, deve ser deixado em paz.

  8. Alice N. 17 de novembro de 2011 12:48

    Mas nem todos os medíocres publicam (só) por pura vaidade e nem os que publicam (só) por pura vaidade são necessariamente medíocres. Escrever – e publicar, de que modo seja (uma edição de luxo ou num blog perebento) – pode ser uma forma de se dizer e de existir. Narrar é narrar-se, já dizia Clarice.
    Além do mais, só foram citados cânones. Oficiais ou marginais, a literatura pode ser mais do que isso…

  9. Alex de Souza 17 de novembro de 2011 11:20

    saiu boa parte desse material no blog do sérgio também, velho.

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