Literatura, sim – Escritor: não

“A literatura é o direito da morte” (Blanchot)

O Rio Grande do Norte possui uma boa literatura que precisa ser lida e conhecida. Uma literatura essencialmente confessional que ainda espera seu grande escritor. Mesmo na poesia onde essa literatura alcançou melhores níveis de realização – ainda assim – é pobre na sua dicção e originalidade. Um escritor não é aquele que escreveu um livro. Um livro em pequena tiragem e pago com o próprio bolso. Aqui quase sempre o que prevalece são os egos e “eus” inflamados de pouca literatura e pouco estudo. O escritor do RN precisa trabalhar mais seu Édipos. A palavra escritor precisa ser usada com mais parcimônia. As palavras de um modo geral precisam ser mais acarinhadas por nós.

O escritor? Quando penso em um escritor penso – por exemplo – em Flaubert. Esse, sim, um grande escritor. Alguém que leu tudo e estudou tudo para escrever quatro livros. Um escritor que não escrevia “eu”. Na ficção – tão pobre entre nós – o autor deve se manter invisível. Foi essa invisibilidade que Flaubert perseguiu incansavelmente. Alguém que passava dias suando para escrever uma lauda. Para escrever aquela palavra justa (“le mot juste”).

Penso naqueles que editam um livro com meu amigo Abimael e no outro dia aparecem como escritor, com direito a páginas desde jornais e holofotes. Quanta ilusão! Lembrem-se: a escritura de um livro não fornece o direito da imortalidade. É preciso acreditar para escrever. É preciso estudar. Mirem-se no exemplo do escritor de Madame Bovary e Educação Sentimental.

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