[Livro] Rousi Flor de Caeté e a resiliência artística

Fotografias: Gustavo Matos

Rousi Flor de Caeté é uma artista com intensa relação entre arte e resiliência. Ela tirou da experiência pessoal e profissional a base para transformar uma dissertação em livro.

Em “Artes de viver: resiliência de professores”, Rousi parte da música, da composição, da dança e das artes visuais em união com seus 20 anos como professora de Língua Portuguesa, na rede pública de ensino, para exercitar a resiliência humana – dois episódios de depressão foram cruciais em sua transformação.

“A partir dessa pesquisa de resiliência com professores, eu levei isso pra arte e aproveitei o período da pandemia pra sistematizar isso. Não é só compartilhar a arte, o livro, mas o aprofundamento desse processo. Tanta gente também está passando por isso, percebendo quanto a arte é importante, principalmente nesse período de pandemia. Muitos artistas estão produzindo pra passar melhor por isso, uma superação de medos”.

Rousi reside em Natal e Olinda. Durante o isolamento, ela compõe, escreve,  lançou dois singles, participou de programas online de Pernambuco e lançará, em setembro, uma série de lives, nas quais compartilha o processo com a música enquanto medicina, no intuito de estimular as pessoas, artistas ou não, a desenvolverem potenciais artísticos.

“Esse período de pandemia foi bem introspectivo. Eu vinha em um ritmo bem legal de produção autobiográfica, exatamente nessa questão da arte como autoconhecimento. Estava pronta pra apresentar esse projeto de arte com resiliência [chamado Pedra Flor] em Aracaju, quando mudou tudo [com a pandemia], eu tive de vir para Natal. Foi comecei a perceber que os artistas daqui e de Olinda pararam. O medo, a incerteza, fez todo mundo ficar na expectativa, de espera, uma coisa estranha”.

Isolamento

Após 15 dias de total isolamento, Rousi começou a perceber que muitos artistas buscavam enfrentar a realidade com aumento significativo na produção.

“As lives começaram. Eu fui convidada para várias, mas eu não queria. Eu queria outro processo. Eu estava em processo de introspecção, de silêncio, eu fiquei sozinha nos dois primeiros meses, depois que minha mãe veio para cá”.  

Um grupo virtual de meditação foi criado, com artistas brasileiros e estrangeiros. Foram 21 dias até a explosão criativa surgir. “As coisas começaram a acontecer de uma forma espontânea.  Comecei a ver que muito artista produzia sobre esse processo de isolamento e autoconhecimento. Observei que nas redes tinham algo como ‘ah, se não for a arte eu estou ferrado’. Foi quando comecei a participar das lives e foi massa”.

Pandemia: a dificuldade para quem vive da arte

A falta de perspectiva financeira também ocupou boa parte das preocupações de Rousi e dos artistas envolvidos nos diálogos virtuais. “Eles estão sofrendo muito, porque, mesmo que eles criem, ele estão com contas atrasadas, aluguel, dificuldade para comprar comida, isso bloqueia o processo artístico deles, pois nesse caso a arte não está criando resiliência. O processo artístico deles acaba sendo minimizado pela necessidade de produzir para viver”.

O livro “Artes de viver: resiliência de professores” pode ser encontrado em formato físico e virtual na Amazon. Inicialmente um mestrado pelo PPGeD/UFRN, sob  orientação do professor Doutor Francisco de Assis Pereira.

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