Livro: Thriller e os sete anos da morte de Michael Jackson

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Michael e Freddie Mercury se encontraram em 1981, para o americano gravar a voz da balada There Must Be More To Life Than This, composta pelo vocalista do Queen. À época, a música não foi lançada, o que só aconteceu no primeiro álbum solo de Mercury, Mr Bad Guy, de 1985.

Lançamentos literários sobre ícones do pop, como Elvis, Beatles e Michael Jackson, devem ser vistos com ressalva, penso eu.

Vidas turbulentas, legado artístico paradigmático, milhões de fãs mundo afora, qualquer publicação que envolva essa turma é forte candidato a best-seller sem, necessariamente, acrescentar novidade.

É possível que, no futuro, surjam novas biografias relevantes ou bombásticas.

Quanto aos dois primeiros nomes, será difícil superar o que Peter Guralnick escreveu três clássicos sobre o rei do rock, todos inéditos no Brasil, e o monumental The Beatles – A Biografia, de Bob Spitz.

Mas sobre Michael, morto sete anos atrás, muita gente ainda vai se arriscar.

Após sua morte, livrarias receberam calhamaços pomposos com frases de efeito nas capas.

Muita porcaria.

Em meio à overdose de publicações, no entanto, um se destacava: Thriller – A Vida e a Música de Michael Jackson (Zahar), do jornalista, escritor e crítico cultural Nelson George.

Duas vezes indicado ao National Book Award, George entende como poucos a cultura pop dos negros norte-americanos.

Ele tem livros sobre James Brown; a cultura afro-americana no cinema; negros e o basquete; o hip-hop nos Estados Unidos; e uma pequena biografia introdutória sobre Michael, lançada em 1984, ano de maior sucesso do inventor do moonwalk.

Sua fórmula é partir de um disco clássico para abranger a carreira completa do biografado.

“Esta não é uma biografia. É uma mistura de crítica musical, memórias e história cultural”, avisa na introdução.

Michael Jackson
Fã de James Brown, garoto Michael estourou com extrema simpatia e boa voz à frente do Jackson 5, a turma de irmãos que revolucionou cena dançante dos 70s e ajudou a mudar relação do rock com música negra

A ascensão profissional do autor e a de Michael foram simultâneas – enquanto surgia o disco mais vendido de todos os tempos, o jornalista assumia a chefia de redação da Billboard.

O livro mostra como Michael Jackson teve na segregação racial das décadas anteriores, na violência paternal, na evolução tecnológica e na genialidade artística, os elementos que forjaram o ídolo e aniquilaram o homem.

Um breve capítulo é dispensado às acusações de pedofilia.

Outro assunto economizado por George é a mudança de cor da pele – graves queimaduras foram causadas por um incêndio durante a gravação de um vídeo para a Pepsi, em 1984.

Sabemos muito sobre os meninos de Neverland e a mudança física do garotinho que encantou o mundo com os irmãos nos 70s.

O foco de Thriller… é a música.

Todas as faixas são criticadas, com informações e curiosidades de estúdio e dos envolvidos, como o mítico produtor Quincy Jones.

Show business, futebol e religião inexistem sem fanatismo.

Michael Jackson, com todas as bizarrices, criou uma espécie de seita em seu entorno, inabalável em sua crença.

Nelson George, fã confesso desde que viu um show do Jackson 5 no Madison Square Garden, aos 14 anos, ajuda na compreensão do mito de forma eloquente e honesta.

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Livro tem 200 páginas e foi escrito por um dos principais especialistas em cultura pop dos negros norte-americanos

A única concessão para assuntos polêmicos é a influência do pai na carreira de Michael.

Inevitável.

Meu subtítulo seria:

Como o The Jackson 5 e o disco Thriller do caçula mudaram a cena dançante e a relação entre rock e música negra.

Pois é disso que Nelson gosta de falar – biógrafo e biografado tinham a mesma idade, no dia do show em Nova York.

Ambos negros.

Experiência estética das mais prazerosas esse Thriller – A Vida e a Música de Michael Jackson, ainda mais se intercalado com vídeos, como o de Wanna Be Startin’ Somethin’, ao vivo em Yokohama, em 1987.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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