Lixo Extraordinário

T.C

Cresceu muito o número de documentários feitos no Brasil nos últimos anos. Cresceu e ganhou visibilidade e credibilidade. Graças à qualidade de produções como as de Eduardo Coutinho, por exemplo, cineasta que tem se dedicado com constância e esmero a esse gênero fílmico.

Acompanho como posso esse boom, mas sempre ficam lacunas. Os últimos que assisti foram Moscou, Santiago, Simonal, Loki, Estamira, Cartola – música para os olhos, e Waldick, sempre no meu coração (não estão em ordem cronológica, cito-os de memória e pode ter escapado algum).

No início da semana assisti, em DVD, Lixo Extraordinário, que concorreu ao Oscar de Melhor Documentário 2011 (foi premiado no Festival de Berlim de 2010).

Dirigido por Lucy Walker, acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz (brasileiro radicado nos Estados Unidos) em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro.

Filmado entre agosto de 2007 a maio de 2009 o documentário parte de uma proposta – fotografar um grupo de catadores de materiais recicláveis –, que no decorrer da filmagem evolui para mostrar como vivem alguns desses catadores. A convivência durante as filmagens, entre o elenco e os catadores, acabou alterando a idéia inicial. E mudando, de alguma forma, a vida de todos.

É impossível não se emocionar com as histórias de vida dos catadores enfocados, com a dignidade e a ressurreição dos seus sonhos latentes, que a vida nas piores condições possíveis não conseguiu extinguir.

Um documentário doloroso pra caramba. Mas também muito belo.

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