Lombroso, Obama, Khadafi e a real identidade do criminoso nato

Nas aulas de Direito Penal que tive com o saudoso professor e magistrado Geraldo Fernandes de Oliveira foi que tomei conhecimento acerca de um certo Cesare Lombroso, um médico e cientista italiano nascido em Verona em 6 de novembro de 1835 e falecido em Turim, no dia 19 de outubro de 1909, e que havia criado uma tese acerca do chamado “criminoso nato” ou do “homem delinquente”, firmando-se em estudos de uma disciplina chamada “Frenologia”, que acreditava ser possível determinar traços do caráter, características da personalidade humana, e eventuais graus de criminalidade pela forma da cabeça e outros traços físicos.

Ali, nas aulas matutinas do Curso de Direito da arborizada UFRN, incrustada ao pé das dunas  ensolaradas de Natown, também compreendi que aquela teoria não era tão científica assim e que comportava muitas desconfianças pelo caráter preconceituoso, racista e determinista em excesso das ideias lombrosianas. Hoje o seu pensamento e a tese que construiu são considerados pela maior parte dos estudiosos de Medicina, Criminologia, Antropologia e Direito, como nada mais que uma pseudociência.

Lendo na net sobre o assunto, encontrei lá na formosa e mui utilizada Wikipédia (saudades da velha Barsa!) a informação de que a tal Frenologia tem como pai e elaborador principal da ideia – antes de Lombroso – o médico alemão Franz Joseph Gall, (1758 – 1828), e que, na apresentação de seu principal trabalho “A Anatomia e Fisiologia do Sistema Nervoso em Geral, e do Cérebro em Particular”, Gall  traça os princípios em que baseou sua doutrina:

“1) Que a moral e os sentidos intelectuais estejam inatos; 2) Que seu exercício ou manifestação depende da organização; 3) Que o cérebro é o órgão de todas as propensões, sentimentos e sentidos; 4) Que o cérebro é composto de muitos órgãos particulares como há propensões, sentimentos e sentidos que diferem essencialmente um do outro; 5) Que a forma da cabeça ou crânio representa a forma do cérebro, e assim reflete o desenvolvimento relativo dos órgãos do cérebro. “

Mas, vou dizer: quando vejo imagens como a de um Khadafi (ou Gadaffi, ou outras muitas variações decorrentes da dificuldade de transliteração da língua árabe), fico em dúvida sobre o caráter de pseudociência que atribuem à teoria de Lombroso e de Gall.

Mas, mesmo assim, não compreendo como alguns “não-lombrosianos”, como os doces admiradores e seguidores de Obama, Sarkozy e Berlusconi, aceitam placidamente a decisão do bombardeio ostensivo de um país (com a quebra da soberania interna e, possivelmente, a morte de muitos civis inocentes da Líbia) sem que se esgotem todas as formas de exercícios diplomáticos e sem que se traga justificativas maiores e mais cabais, inclusive com relação ao tempo dessa operação e suas metas reais e previsão de eventuais consequências. É certo que o Congresso Americano não está gostando nadicas disso…e outras nações e personalidades…mas, por enquanto, é o que temos.

***

É, amigos, vejo que talvez o petróleo e outras riquezas de ordem puramente econômica também devam ser estudadas por teses aliadas à tal vetusta e ultrapassada “Frenologia”…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × cinco =

ao topo