Longe do Alaska e muito perto do sucesso

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Pensei em fazer uma retrospectiva do que li, vi, ouvi e, principalmente, senti no mundo cultural e artístico potiguar no ano que terminou (e que foi o meu ano de estreia no dileto Caderno Viver da Tribuna do Norte. Creio – modéstia à parte – que com bons frutos). Depois é que me apercebi que muitos já fizeram isso, seja aqui ou acolá; além do que essa prática sempre termina deixando a abordagem incompleta e provocando injustiças quando alguns artistas e produtores culturais ficam sem ser lembrados pelo que realizaram.

Preferi não fazer a lista daquilo que eu considerei louvável em 2013 (apenas ressaltando que foi um ano essencial naquilo que chamo de “nosso renascimento cultural”) ou do que pode e deve trazer bons resultados nessa área em 2014. Dessa forma, peço licença para simbolizar e reduzir minha retro(expectativa) em apenas um item. Num futuro próximo vocês poderão dizer se o meu “rol de um” vingou ou não. Vamos a ele, então?

A banda “Far From Alaska”. Em minha opinião, essa banda (até agora somente potiguar) de Rock – que já conta com fã-clube considerável, boa experiência de palco, respeitabilidade no meio e alguns sucessos explodindo na internet (basta ver e ouvir no Youtube os excelentes vídeos de “Dino vs Dino” e “Thievery”) – deverá preencher muitas páginas das colunas e revistas especializadas. Impressionante a qualidade da rapaziada e o envolvimento profundo com o que fazem.

A carismática vocalista Emmily Barreto está no epicentro desse potente e criativo rock e que está fora dos padrões de repetição que têm se verificado por aí. A formação ainda conta com Cris Botarelli (Lap Steel/synth/voz), Edu Filgueira (baixo/voz), Rafael Brasil (guitarra) e Lauro Kirsch (bateria). Há qualquer coisa de novo, especial e de muito autêntico nessa banda. Aconselho aos que gostam e mesmo aos que não gostam de Rock’n Roll que procurem conferir.

Emmily me afirmou que a banda tem as seguintes referências “quase” declaradas: Warpaint, RHCP, QOTSA, The Dead Weather, Turbowolf, Spinerette, e por aí vai. Mas dá pra perceber pitadas, também, do bom Hard Rock (Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin etc e até algo de Janis Joplin nos vocais e gestos de Emmily). Uma pitada de Rock “progressivo” também resta evidenciada.

Há pouco gravaram o primeiro full album no estúdio da Deckdisc, Tambor, no Rio de Janeiro. Pedro Garcia (Planet Hemp) está mixando esse trabalho e é provável que seja lançado até março de 2014, abrindo caminho para as turnês que se seguirão. E a banda está redondinha pra tudo isso.

Apesar de longe do Alaska, a turma está muito perto do sucesso nacional e até internacional. Anotem aí bem anotadinho. E feliz mundo da cultura e das artes em 2014! Que o RN supere o já ultrapassado “coitadismo” nessa e noutras áreas tão importantes. A banda “Far From Alaska” é um ótimo exemplo de que isso, sim, é bem possível.
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*Texto publicado na Tribuna do Norte (obs: aqui, com pequenas alterações).

Comments

There are 3 comments for this article
  1. Jarbas Martins 3 de Janeiro de 2014 14:50

    Pensando em 2014, Poeta.Que seus artigos continuem sempre às sextas-feira na “Tribuna do Norte”.O velho jornal onde trabalhei, e que conheci talentos e amigos como Berilo Wanderley,Sanderson Negreiros,Newton Navarro, Celso da Silveira, entre outros, merece que você dê continuidade, com sua inteligência, a essa tradição. Abraços, Lívio.Feliz 2014.

  2. Lívio Oliveira 3 de Janeiro de 2014 20:44

    Obrigado, caro Jarbas, pelo elogio sincero. Quem escreve na TN nas sextas-feiras não sou eu. Mas fico grato, assim mesmo. Vou tentando algo, mesmo que alertado sobre a condição de epígono. Abraços e um produtivo 2014!

  3. Manoel Borba 4 de Janeiro de 2014 8:31

    Tem nada não, Lívio. Foi só uma troca do dia da semana, pelo menos o jornal citado é o mesmo.

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