Louvação Vespertina

Por Jarbas Martins

a Franklin Jorge, craque da literatura potiguar

Peço licença para falar de Jorginho, o mais famoso mossoroense que já pisou por estas ribeiras. Sabeis de quem estou falando, ó sexagenário leitor. Os jovens talvez não tenham desse nome a mais fugaz notícica. Era um atacante aguerrido, genial mesmo, que defendia a camisa alvinegra do ABC F.C., idos dos anos 50.Sua figura minúscula dava, aos meus olhos de menino, uma impressão mágica: Jorginho parecia que estava sendo observado por um estranho binóculo que o tornava, cada vez mais, pequenino. E distante, imponderável até. Meu falecido amigo Edmilson de Andrade, comentarista esportivo e parceiro de incansáveis conversas no Café São Luiz, enriquecia-me com dados preciosíssimos algumas idiossincrasias do craque abecedista. Para chamar a atenção dos torcedores, Jorginho cultivava hábitos e manias singulares, como o de simular um jeito desleixado de vestir o uniforme do time. O calção quase nas virilhas, um dos meiões derreado até às canelas, a manga da camisa mal ajustada. Era ágil, insinuava-se entre zagueiros de porte avantajados, conduzindo a bola, serva carinhosa, nos seus pequenos pés de gigante.Um Adamastor entre liliputianos.Matava com precisão a bola no peito, que lhe escorria pela coxa à procura do pé e do chute vitorioso. Ó leitores incrédulos, nenhum jogador causou-me maior admiração. Nem Romário nem Maradona, apelidados também de baixinhos. Nas tardes azuis e bravas de ABC e América, lancei muitas vezes, contra as encostas do morro que nascia além do Estádio Juvenal Lamartine, meu urro de louvor.Um urro como se algum verdadeiro verso fosse de uma ode bárbara. Uma ode ao pequeno notável. ao maior jogador de todos os tempos do ABC F.C. Perdoem-me o tom louvaminheiro. Em época de tantas descrenças, disforias, niilismo, o meu estilo exultatório talvez tenha algum efeito terapêutico. Que fazer ? Mal posso louvar as minhas musas; os dias de hoje são infensas a essas divindades infiéis e anacrônicas. Onde Socorro, vaga estrela no céu da Alemanha ? Louvo Jorginho.

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. François Silvestre 13 de maio de 2010 23:24

    Tácito, é bom esclarecer que não pedi para retirar o comentário que abre essa janela. Mas o que você retirou sobre minha pergunta a João da Mata. Vamos aguardar o seu pronunciamento. A entrevista com Jorginho permitiu a ele conseguir um passe permanente de acesso ao Estádio, vez que o mesmo vivia numa situação de grande dificuldade financeira. Agnelo conseguiu o passe. coisa que muita gente já tinha. Menos merecedores do que Jorginho. Esse é o fato. Difamação, tô fora!

  2. João da Mata 13 de maio de 2010 23:19

    Amigos, só agora tive acesso ao computador.
    Refiro-me à elogiosa dedicatória vespertina de Jarbas .
    Jorginho, esse sim , é um craque

  3. François Silvestre 13 de maio de 2010 22:56

    Se você observar a dedicatória de Jarbas, no texto, vai perceber. Caso contrário, e aí só João pode esclarecer, eu voltarei a colocar o texto retirado.

  4. Tácito Costa 13 de maio de 2010 22:48

    François, eu tô voando até agora, não sei ainda a quem João se refere. Por isso, fiquei na minha.

  5. François Silvestre 13 de maio de 2010 22:33

    Fui alertado por um amigo comum de que João está referindo-se à dedicatória de Jarbas. Se possível, Tácito, retire meu comentário anterior. Grato.

  6. João da Mata 13 de maio de 2010 19:17

    Um craque tambem em difamação.

    Parabens Jorginho!

  7. Jarbas Martins 13 de maio de 2010 17:50

    Pungente, caro François, esse teu depoimento. Jorginho foi servidor da UFRN; será que existe, pelo
    menos, alguma placa homenageando-o ? Abs.

  8. François Silvestre 13 de maio de 2010 17:06

    Jarbas, entrevistei Jorginho, quando fui repórter esportivo da Tribuna do Norte. Numa casinha pobre, cheia de fotografias de times e jogadores. O pedido dele: Uma “permanente” para entrar de graça no Machadão. Agnelo conseguiu. Abraço.

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