Lula, câncer e SUS

Por Jóis Alberto

Ainda – e eu vou usar esse advérbio propositadamente, como veremos – escrevo novos comentários acerca da repercussão nacional e internacional da descoberta de câncer em fase inicial no ex- Presidente Lula. Em outro comentário, publicado aqui no SP e no facebook, eu deplorei a estúpida demagogia dos que cobram que Lula faça o tratamento no SUS.

Argumentei acreditar que Lula, com a humildade que lhe caracteriza, poderia até fazer tratamento médico pelo SUS, mas que nem ele, nem milhões de admiradores, nem parte da oposição, que deplorou essa demagogia, gostariam de ver Lula se tratar no SUS, como na época em que ele era operário, dentre outros motivos de bom senso, porque ele conquistou outro status: o de Presidente da República por duas gestões e o de ex Presidente, que fez sucessora, a Presidenta Dilma. Acrescentei dados, de fonte autorizada, Adib Jatene, segundo o qual, anualmente o SUS interna 11 milhões de pessoas, faz 3 milhões de partos, 400 milhões de consultas. Erradicou-se a poliomielite, o sarampo, a rubéola. O Brasil é líder mundial em vacinação. O combate à Aids é referência internacional. Hemodiálise, cirurgias complexas, transplantes, é o SUS que paga, medicamentos que planos de saúde não cobrem… Ainda que, acrescento aqui, seja preciso melhorar muito para evitar formação de filas, etc. Comentei também que houve época em que hospitais públicos – como o Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro e o Hospital de Brasília eram tão bons, ou ainda são – que neles podiam se internar ministros de Estado e até Presidente da República, e que, portanto, os investimentos nos hospitais públicos deveriam retomar esse nível de excelência.

Um dos amigos do facebook a quem eu havia criticado, anteriormente, ao afirmar que tem gente da oposição quem nem no câncer é solidário, retrucou, afirmando que eu havia deturpado o comentário dele. Neguei que houvesse deturpado e fiz alguns novos comentários, que transcrevo aqui, ao mesmo tempo em que aproveito para comentar a repercussão da notícia sobre Lula na imprensa norte-americana, como no caso do link deste SP, que comenta matéria no ‘New York Times’. No caso da resposta ao amigo do facebook, eu afirmei inicialmente que ele, agora, deixa claro que presta solidariedade a quem está com câncer. Menos mal! Fiquei feliz em saber disso. Lamentei, porém, quando ele se refere a Lula como ‘canalha corrupto’! Eu só concordaria com essa afirmação dele, em duas hipóteses: 1) se um dia a polícia e a justiça comprovarem, com provas cabais e irrefutáveis, que Lula é um corrupto; 2) reconheceria o direito dele de protestar assim, se ele, como bom anarquista que parecia ser na juventude, aplicasse esses mesmos adjetivos – canalha e corrupto – à imensa maioria dos políticos de todos os partidos, não só do Brasil mas de todos os países do mundo. Se ele também chamasse de canalhas corruptos FHC, Serra, José Agripino, ACM Neto, Kassab, eventuais militantes do PCB, do PCdoB, do PSTU – nesse, há um caso de conhecida líder sindical da área de saúde, divulgado na imprensa local, e que, eu soube recentemente de fonte fidedigna, foi excluída do partido, sob essa acusação -, ou em partidos políticos de centro, como o PV, ou de direita, médios e menores, como o PR, PTB e várias outras siglas. Mas, a quem interessa, desqualificar assim a política e os políticos? A mim não interessa. Para combater a corrupção, defendo não só a liberdade de imprensa, mas também espero honestidade da polícia, e de órgãos de fiscalização, como auditorias fiscais, tribunais, Controladoria Geral da União, etc…

Mas, como canalhas e corruptos não são apenas aqueles que desviam dinheiro na política, gostaria também que ele, como bom anarquista que era na juventude, chamasse também de canalhas e corruptos, artistas que não utilizam corretamente e nem prestam contas de recursos públicos, da mesma forma desportistas, sejam individualmente ou em ONGs de fachada; ou ainda padres e pastores, pais de santo, babalorixás, sacerdotes de outras religiões, que não prestam contas corretamente do dinheiro que recebem dos fiéis, ou que utilizam ameaças apocalípticas, de ‘despachos’, etc, para amedrontar e controlar esses fiéis ou adeptos de religiões e seitas. Ou ainda que ele aplicasse os mesmos adjetivos para todos os leitores, telespectadores, internautas que fazem ‘vista grossa’ para a falta de ética jornalística de revistas, emissoras de TV e sites da Internet, onde jornalistas agem como canalhas e corruptos ao veicular acusações contra terceiros, sem apresentar as provas e dar o direito, ao cidadão acusado, de apresentar defesa na mesma edição e com igual destaque… E que ele criticasse também matérias da imprensa norte-americana, européia ou de qualquer outro lugar, em que aparecem notícias, que ao aparentar isenção, imparcialidade, na realidade não conseguem esconder – um simples advérbio, ‘ainda’, denuncia – a real intenção de ser notícia tendenciosa – quando afirma: ‘O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, adoece enquanto ainda goza da posição de figura política mais influente do país (…)’, avalia o “The New York Times” em uma reportagem publicada domingo passado. O advérbio citado pode parecer irrelevante, mas me deixou intrigado, da mesma forma o fato de que em notícia anterior em revista norte-americana a Presidenta Dilma tenha sido chamada de ‘Dilma Dinamite’, ainda – esse advérbio tem assumido aqui, ampla polissemia – que a citada matéria, que não li na íntegra, tenha feito comentários, em alguns pontos, favoráveis a Dilma.

Enfim, eu poderia continuar citando canalhas e corruptos em diversos outros setores da sociedade – quartéis, polícia, justiça, imprensa, comércio, indústria, serviços, etc, etc… de qualquer lugar do mundo. Daí, ele ou qualquer outra pessoa daqui do SP ou FB, seja de direita, centro, esquerda, neutros, etc, podem ver que sou bastante imparcial quando combato corrupção, etc. De qualquer modo, ainda prefiro a democracia e essa sociedade, com partidos políticos, com imprensa livre, com tribuinais e polícias, e suas devidas corregedorias – juízes a fiscalizar juízes, policiais a policiar seus pares, etc – a qualquer outra em que não haja democracia política – multipartidarismo, Congresso, etc – nem liberdade de imprensa! Também prefiro essa sociedade democrática a eventuais comunidades alternativas – de anarquistas, de fanáticos religiosos, de hippies, de punks, etc – porque mesmo nessas comunidades, que começam com boas intenções e promessas, sempre acaba aparecendo alguém para querer ser líder, mais esperto do que os outros, e aí então tudo volta a se repetir – corrupção, mentiras, etc -, só que em escala menor, porém não menos grave e merecedora de repúdio…

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