Lula e a cultura

Prezado Fernando:

Penso que devemos criticar Lula (FHC, Collor & Cia) pelo que são, evitando metáforas que, por serem fascinantes, mais cegam que explicam.
Essas pessoas não são fascistas porque o Fascismo ficou no passado (foi derrotado belicamente em 1945) e o mundo que se lhe seguiu soube espertamente incorporar muitos de seus métodos de maneira charmosamente discreta. Mas cada uma delas (e tantas mais) devem ser criticadas permanentemente. Sem crítica, não temos saída.

A relação de Lula com as culturas é ambígua. Envolve fascínio pelos eruditos acadêmicos (muitos o assessoraram e ainda apóiam), inclui a necessidade de se afirmar como humilde metalúrgico – o que ele não é há muito tempo. Ao mesmo tempo, surpreendentemente, teve uma atitude mais decente em relação à universidade pública que o scholar FHC.

Independentemente dos referidos presidente e ex-presidentes, penso que devemos reafirmar a necessidade das culturas de forma autônoma e corajosa. Rejeito o neo-liberalismo e também a cultura derivada do estado. Prefiro colocar os cidadãos como centros produtores de pensamento e sensibilidade.

Caetano Veloso compôs canções excepcionalmente boas. Deveria evitar falar bobagens que o rebaixam politicamente e intelectualmente.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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