Lula inteligente

Por Duarte Guimarães

Esta semana resolvi falar sobre algo que vinha martelando a minha cabeça desde o final do ano passado, após ler uma notícia de jornal. Trata-se, mais precisamente, de uma extensa matéria feita com o presidente Lula nos ultimos dias de seu mandato. O jornal é aquele odiado pelos seguidores do presidente e petistas de um modo geral, O Estado de São Paulo. A edição é a do dia 28 de dezembro.

Na matéria Lula, falando sobre si mesmo, declara: “O Lula não surgiu do nada. Ele é resultado de um movimento que começa envolvendo a rebelião dos estudantes nos anos 60, depois a criação dos movimentos sociais espalhados por este Brasil afora, a teoria da libertação… Teologia da Libertação. Houve uma sequência no surgimento de movimentos e tudo foi confluindo para determinado caminho. Sou resultado disso”.

As palavras do então presidente soaram muito mais inteligentes do que as dos seus próprios seguidores, os lulistas apaixonados, que acreditam que antes de Lula nunca houve nada nesse país, nem mesmo governo.

Pena que essas palavras só foram ditas a poucas horas do final de seu extenso poder de oito anos em dois mandatos sucessivos. Sim, porque ao longo deles o próprio presidente se encarregou de formentar e dizer exatamente o contrário. Tornou-se até lugar-comum e motivo de chacota as declarações “nunca antes na história desse país”, assim mesmo, tautológicas e com erros pronominais.

Mas não eram somente os erros de lógica e de gramática que ele cometia, tendo o assente de fiéis, benevolentes e cegos seguidores. O erro mais grave era filosófico, no sentido social, ou seja, sociológico. Não somente Lula, como ele mesmo agora reconhece, mas o seu próprio governo decorre de um movimento histórico; de um fluxo natural da história feita pelos homens, e não o contrário.

O que o governo Lula fez, alcançou, promoveu, patinando numa economia favorável, não é fruto de um milagre, praticado por um homem só, um santo milagreiro, mas de uma construção de muitas mentes e mãos, inclusive daquelas que ele tanto criticou por oito anos e que agora, contraditoriamente, na undécima hora, também reconhece como importante na história, a sua história, e da qual se diz amigo e para a qual se mostra reconciliador. Vejamos.

“Ora, o que vocês precisam entender é que os tucanos são os principais adversários do governo. É normal que haja um acirramento nas relações. Mas na hora em que eu encontrar o Fernando Henrique Cardoso, senão amigos como formos em 78, quando eu o procurei para apoiá-lo candidato ao Senado – não foi ele quem me procurou, mas fui eu quem o procurei – mas vamos ser amigos. Eu vou respeitá-lo e espero que a recíproca seja verdadeira”.

É. Lula sabe o que diz. É inteligente. Muito mais inteligente do que os bobalhões dos lulistas que nomearam o governo FHC como um demônio que só fez maldades e Lula como o santo guerreiro que só fez bondades. Mas, será que dá para acreditar nele?

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