Lula, Maluf, Haddad – Erundina

Lula foi à casa de Maluf, por exigência deste, para garantir uma aliança do PP (partido de Maluf) com o PT nas eleições municipais de São Paulo, para garantir um minuto e meio a mais na propaganda televisiva de Haddad. Tudo acabou em feijoada.

Muita gente chiou: adeus à ética, tudo igual a tudo. Outros tantos rebateram: realpolitik, os partidos de Maluf, Collor e Sarney já participavam mesmo do governo Dilma.

Houve quem relembrasse episódio no fim do Estado Novo: Luís Carlos Prestes, recém-saído da prisão, que teve a mulher Olga Benário Prestes deportada para a Alemanha Nazista e a morte pelo governo Vargas (era no tempo do Holocoausto), aceitou participar de comício com este. Lula repetiria a grandeza daquele momento – não se sabe bem quem assumiu o papel de Vargas e o papel de Prestes, o leitor está convidado a fazer sua escolha.

Memoriol: Prestes foi pessoalmente elegante naquele episódio, não permitiu que a dor da viuvez trágica  se impusesse ao jogo político. O que restou de seu gesto, além da registrada elegância? O padrão de vida da classe trabalhadora mudou? Os trabalhadores rurais tiveram direitos trabalhistas reconhecidos? O jogo político no país consolidou a legitimidade dos comunistas na cena? Não, não e não.

Em política, como em tudo, as pessoas podem mudar. Nunca Maluf nem seus aliados fizeram auto-crítica em relação à ditadura. Maluf se limita a dizer que não mais existe direita e esquerda no Brasil nem no resto do mundo. Vinda de quem vem, a frase significa que tudo é igual a tudo, suprasumo do conformismo de resultados. Quem se alia a ele e seu partido compartilha essa visão do conformismo.

Haddad até parece melhor que os demais candidatos paulistanos. Aliando-se a Maluf e seu partido, traz projetos e significados de Maluf e seu partido para o eventual governo. Não é pouco nem é a favor de trabalhadores.

Erundina tem razão.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 21 de junho de 2012 21:54

    Um comparação ainda pior seria com o acordo Hitler/Stálin.

  2. Lívio Oliveira 21 de junho de 2012 17:13

    Marcos, amigo, essa foto aí traz a imagem de uma das maiores decepções que tive na minha vida como eleitor/cidadão brasileiro. E não dá pra comparar Maluf nem com Vargas e nem com Prestes, ambos controversos, polêmicos, mas com méritos históricos.

    Maluf é, para mim, o maior símbolo do que não deve ser um político e um administrador no Brasil. Pior do que Collor, a meu ver. O pior dos piores. Lula, inclusive, foi uma espécie de vítima desse cara.

    Pô, Lula! Pô, Haddad! Pô, PT!

    E parabéns à nossa Erundina! Mulher de fibra! (Minha esposa morava em Sampa na época da administração de Erundina. Só faz elogios, até hoje).

    Abraços, Marcos!

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