Lunário Perpétuo

I – Biblioteca Fundamental da Cultura

1- Lunário Perpétuo

Precursor dos famosos almanaques que tanto fascinaram nossos avós, o Lunário Perpétuo foi durante vários séculos, um dos livros – receita mais utilizados pela população brasileira, especialmente no nordeste brasileiro.

Lunário Perpétuo, livro composto pelo valenciano Jerônimo Cortes em 1594; Cortés, Jerónimo, Lunario nuevo, perpetuo y general y pronóstico de los tiempos, Valencia, Herederos de J. Navarro, 1594.

O LUNÁRIO é um livro que trata da natureza dos ventos, terremotos, prognósticos, eclipses, fases da lua, signos, fluxos e refluxos das marés, épocas ideais para plantação. Jerônimo Cortes foi matemático, astrólogo, médico, e um dos homens de ciência mais populares em sua época, por colocar em seus livros o que interessava e preocupava o público leitor. O livro é uma espécie de almanaque prático que trata da relação entre as forças cósmicas do universo e a natureza. É um livro – almanaque, semelhante aos almanaques de Liége (França), muito populares na Europa. Segundo Câmara Cascudo, em Vaqueiros e Cantadores, o lunário perpétuo foi durante mais de dois séculos o livro mais lido nos sertões do nordeste brasileiro. Livro de inspiração para os poetas cantadores e fazendeiros.

Em diversas regiões do Brasil ainda se planta e colhe conforme as fases da lua. Em Cabo-Verde e outras localizações o livro também foi bastante usado.

A primeira edição portuguesa é do inicio do século XVII, e a edição a que Cascudo se refere é do início do séc. XVIII ; CORTEZ, Jeronymo. O non plus ultra do lunario, e pronostico perpetuo, geral, e particular para todos os reynos, e provincias . . . emendado conforme o Expurgatorio da Santa Inquisição, e traduzido em portuguez por Antonio da Silva e Brito ( 1703).

O livro começa com a definição de mundo e suas divisões. A “máquina do mundo”- cosmos do gregos e mundus dos latinos-, é dividida em sete esferas concêntricas , mais a esfera das estrelas fixas, o firmamento. É o mundo de Ptolomeu (séc. II) que ainda era adotado no século XVI. Tenho em mãos uma edição de 1713, publicada em Barcelona: El Non Plus Ultra del Lunario, y Prognóstico perpetuo, general y particular. Gerónimo Cortés. Barcelona. Edición de 1713. Dentre outras coisas, essa edição traz muita astrologia, roda permanente dos números áureos, associação de cada órgão do corpo humano a um astro celeste, tabuadas das purgas e sangrias, para se saber quando hão de ser boas ou más.

Lunário Perpétuo – Antônio Nóbrega

. Para comemorar os seus 30 anos de carreira, o cantor, compositor e dançarino Antônio Nóbrega, compôs o belo CD Lunário Perpétuo (2002). O nome foi inspirado no livro homônimo. O CD tem o belo Romance da Nau Catarineta (recriado por Ariano Suassuna), romance da filha do imperador do Brasil (Nóbrega – Ariano Suassuna), Ponteio Acutilado (reminiscências dos seus tempos de Quinteto Armorial), choros, aboios, marchas e frevos no melhor estilo pernambucano.

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