[Lupulismo] Eu não gosto de cerveja

Salve, lupulista!

Todo mundo já passou por essa cena. Amigos reunidos à mesa do bar, chega o garçom e na hora que ele leva o cardápio alguém fala “Já adianta uma cerveja e quatro copos!”, quando outra pessoa responde “Três copos. Eu não gosto de cerveja”.

Para nós, devotos da bênção de Ninkasi, parece uma adaga atravessada no peito ouvir uma frase dessas. Difícil não pedirmos imediatamente uma justificativa para tal afirmação, dita sempre com muita convicção.

E as justificativas são as mais diversas: “É muito amargo”; “Não tem gosto de nada”; “Acho muito sem-graça”; “Prefiro vinho/uísque/cachaça” etc. Geralmente, a pessoa está se referindo aos rótulos mainstream, mas também já temos os amigos que falam “Gosto de cerveja, mas não gosto de cerveja artesanal”, e aí os motivos são mais variados ainda, geralmente associados ao choque de cultura entre o que se havia cristalizado como “cerveja” e a experiência de um gole mais amargo, frutado, ácido ou doce que o habitual.

Pois bem, confreira ou confrade. Nem seria necessário dizer, mas a Regra de Ouro nesse caso é: respeito. Antes de qualquer coisa, disfarça a sua cara de frustração. Não vai enfiando goela abaixo um monte de comentários que desdenhem do gosto do coleguinha.

Não é questão de ser beervangélico

“[…]seu amigo fã de uísque pode ficar maravilhado ao conhecer o sabor amadeirado de uma lager envelhecida em barril “

MAS, se você acha que na verdade houve um acidente de percurso que não deu àquela pessoa uma oportunidade de provar cervejas realmente incríveis, é óbvio que há um espaço para debate. Quando ouço algo do tipo “Não gosto de cerveja”, a minha tática é perguntar quais foram as últimas que ela provou e o que ela gosta de beber.

Por exemplo, seu amigo fã de uísque pode ficar maravilhado ao conhecer o sabor amadeirado de uma lager envelhecida em barril; os amantes de um prosecco podem se surpreender com a carbonatação de uma cerveja de trigo filtrada; e quem sabe a turma da caipirinha não fique feliz da vida ao provar sua primeira Witbier?

Não é uma mera questão de ser beervangélico, mas faz parte da cultura cervejeira difundir o leque de sabores que nos deixa cada vez mais apaixonados por esse universo. Oferecer algo novo não ofende, do mesmo jeito que não devemos nos sentir ofendidos com quem diz “não”. Particularmente, eu não sou um grande fã de queijo cru. Mas só me convenci disso de verdade quando fui apresentado a alguns dos mais aclamados mundialmente, provei e disse “É, realmente não é minha praia”.

(Tomara que não apareça nenhum cheesevangélico querendo me convencer do contrário).

E você, caro confrade? Já foi, ou continua sendo, da turma que não gosta de uma cerveja de jeito nenhum? Ou já foi apresentado a um estilo que te fez mudar de ideia? Comenta aqui embaixo e vamos continuar essa conversa. Bater um papo com uma boa cerveja já é incrível, e quando a  própria cerveja é o assunto, melhor ainda!

Fique em casa, se precisar sair não esquece da máscara… e Beba la revolución!

Sommelier de Cervejas e Técnico Cervejeiro [ Ver todos os artigos ]

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