A luta dos artistas deve ser abrangente

Ontem (16) à noite participei de um debate na Casa da Ribeira sobre a extinção do Ministério da Cultura. Espaço lotado. Artistas, produtores culturais, jornalistas, professores e pessoas de alguma forma ligada ao segmento. Uma discussão muito rica. Reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, com altos e baixos, e da importância do ministério para o país. Apesar do desalento com a extinção da pasta, notei muita garra e disposição de luta contra a decisão de Temer, que estará em boa companhia perante a história, ao lado de Collor de Melo, outro que também acabou com esse ministério. Como Collor levará mais essa mancha em seu já sujo currículo político.

A denúncia da violência parte de várias frentes. Todos os artigos e entrevdebate2istas que li até agora, e não foram poucos, em menor ou maior grau, criticam a decisão. Caetano (“Sei que os maluquinhos habituais vão repetir que os artistas famosos brasileiros vivem do dinheiro do Estado, que querem mais, que são dependentes do governo. Repetirão todas as bobagens que têm dito sobre a Lei Rouanet e demonstrarão todo o ressentimento pelo que filmes, peças, canções, escritos, desenhos, edifícios, estátuas, performances, instalações, criações artísticas em geral representam quando atingem multidões ou íntimas sensibilidades. Não. Eu digo NÃO.’), Wagner Moura, Cacá Diegues (“Voltamos ao passado, à tendência de tratar a cultura como bijuteria, elemento decorativo como serpentinas no teto da casa em época de carnaval.”), Ricardo Lísias, Marcus Faustini. Alguns dos que escreveram esses textos são notórios críticos do PT, como o cineasta Cacá Diegues.

Nesta terça-feira, o diretor Kleber Mendonça, que representa o Brasil no Festival de Cinema de Cannes, com o filme Aquarius, que pode resultar na segunda Palma de Ouro entregue ao Brasil, junto com o elenco, foi fotografado com cartazes denunciando o golpe.

No meio artístico a condenação é unânime. Muito consideram que se trata de vingança do poetastro Temer contra o meio, que se posicionou fortemente contra o impeachment. Alguns nomes convidados para a Secretaria em que se transformará o Ministério não aceitaram. A jornalista Marília Gabriela negou-se a fazer parte da pândega peemedebista. Não me surpreendeu a decisão de Temer. Não esperava mesmo nada desse governo.

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Ocupação pelos artistas na tarde desta terça-feira do Iphan Natal RN

Também não me surpreendeu certos comentários dos “ignorantões” de plantão nas redes sociais, pessoas cujos horizontes culturais chegam ao máximo às novelas da Globo. Geralmente opinam sobre tudo. Baseados no senso comum ou em fontes mentirosas ou sofísticas. Quando muito também porque a média de leitura e produção intelectual desse pessoal é inexpressiva. Desconheço uma nota escrita mais alentada dessa galera quanto mais um texto que ultrapasse as cinco linhas. Também jamais avistei algum deles num evento cultural que fosse em Natal. Só um já me satisfaria. É a famosa legião de imbecis que infesta as redes sociais. Umberto Eco se referiu a esse fenômeno pouco antes de morrer. Deve ter morrido preocupado, receoso de que ela domine o mundo. Pelo menos no Brasil essa revolução já começou.

Considero que diante de tantos desatinos, que atingem também os direitos humanos, as mulheres, negros, minorias, e projetos caros ao país, como o SUS, por exemplo, a luta dos artistas deve ser abrangente. Não apenas em defesa do MinC, mas do estado de direito, contra o golpe, pela democracia e contra o fim de conquistas conseguidas com sangue, suor e lágrimas.   Esse é o caminho. Até mesmo porque pouco significaria um ministério esvaziado e dirigido por gente como Roberto Freire, como inicialmente se cogitou.

Comments

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  1. Anchieta Rolim 17 de Maio de 2016 19:36

    Esses babacas não gostam de Cultura e muito menos dos Artistas. Quem tem liberdade de expressão e é livre, mete medo neles. Acabar com o MINC, é um retrocesso, uma vergonha !

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