A luta para controlar o machismo que habita em nós

Não é fácil controlar o machismo que habita e hiberna em nós. E quem nunca pecou por ação, omissão ou pensamento atire a primeira pedra. Muitas vezes sinuoso. Manhoso. Pior do que quando direto, ele se move nas dobras da linguagem e lapsos e atos aparentemente inofensivos. Mas faz mal do mesmo jeito e contribui para manter uma situação de desigualdade e dominação. Fruto de uma educação (em casa, na escola, na rua…) que reforçou e reforça isso nas menores e maiores coisas do cotidiano. E que, de tão naturalizadas, parecem-nos “normais”.

Quando eu falo que não é fácil é porque por mais progressistas e feministas que nós sejamos, ou tentemos ser, às vezes nos flagramos com palavras ou atos machistas. Há poucos dias mesmo, na minha presença, uma colega criticou a outra, que se tratava de uma pessoa muito chata, intragável, e eu que poderia ter ficado calado, fiz referência à solidão da moça (deixando subentendido a falta de sexo, que ela é “mal amada”, “mal comida”, os chavões perversos nesses casos). Como se a pretensa solidão dela tivesse alguma coisa a ver com a chatice. Mal acabei de falar e me dei conta de que tinha falado besteira.

Então, temos de estar muito atentos, com palavras e gestos, para não incorrer no machismo, e ter a humildade de fazer autocrítica, reconhecendo quando pisamos na bola, desculpar-se quando necessário e buscar contribuir com a luta das mulheres. Eu me esforço nesse sentido e se falho, como no caso que citei acima e em outros, penitencio-me. Tenho consciência de que preciso melhorar nesse e em outros aspectos da vida.

Nesse contexto, considero por demais relevantes os textos postados no Face sobre o feminismo. Acompanho de perto momentos de horror como este da jovem estuprada por 30 monstros, que ganhou repercussão mundial. Eu leio e tenho aprendido muito com esses textos. E choco-me com a ignorância e insensibilidade para com a luta das mulheres por igualdade. Muitas vezes partindo das próprias mulheres. É triste. Como é também desalentador ver um ministro da Educação receber em audiência um estuprador. Que país é esse?!

Tenho dúvidas, porém, se esses textos e discussões não ficam circunscritos a um grupo mais intelectualizado, do qual faço parte, sem atingir um público maior, submetido às músicas de certas bandas de forró, humoristas de segunda, programas de rádio e tv de grupos religiosos, programas radiofônicos e de Tv que exploram a violência, e que reforçam padrões, atitudes, comportamentos que aviltam a mulher. De qualquer modo, é salutar que se debata, polemize em todos os espaços possíveis porque o machismo não é uma questão limitada à classe social, perpassa todas, em menor ou maior grau.

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