“Madame Bovary c’est moi.” (Gustave Flaubert)

Flaubert nunca disse essa frase. Essa frase é atribuída a ele para se defender um pouco das graves censuras e acusações aos bons costumes que o romance sofreu quando de sua publicação.”  (J.M.C.)

…………………….

O texto acima, parece-me, é de autoria do ilustrado Professor Doutor João da Mata Costa. Negritei a primeira frase e juntei as iniciais do autor e juro, solenemente, que somente isso me pode ser atribuído no período que encima as palavras que ora escrevo.

Quero estabelecer aqui, com a devida permissão de Tácito, as seguintes observações e questionamentos sobre o que afirmado acima pelo douto senhor que subscreveu as assertivas. São eles:

1. Andei pesquisando sobre a possibilidade de a frase não ter sido mesmo emitida por Gustave Flaubert. Nada encontrei nesse sentido. Ao contrário, confirma-se, a todo instante (até Otto Maria Carpeaux escreve nesse sentido – vide “As obras-primas que poucos leram”, org. Heloisa Seixas, Record, 2005, pág. 33), que a frase foi dita pelo mestre francês, quando de sua defesa na  Sexta Corte Correicional do Tribunal do Sena, em decorrência dos escândalos causados pela publicação da famosa obra “Madame Bovary” (1857);

2. O que o autor das palavras acima quis dizer com “…para se defender um pouco…”? Ora, acredito que o indivíduo se defende ou não se defende. Mas, “defender-se um pouco” é algo tremendamente indefinido e vazio. Será que Flaubert tinha alguma dúvida quanto aos termos de sua defesa, ou estava se defendendo a conta-gotas? Um pouco aqui, outro pouquinho acolá…

3. Flaubert é mesmo exemplo para todos. Pena que há alguns que o desafiam e o desobedecem, despudoradamente.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 8 de dezembro de 2010 10:38

    Olha, Tácito, sem problema.

    Afirmo, no entanto, que a minha discussão começou (e você sabe disso) com aspectos referentes ao livro “Madame Bovary” e ao seu autor, desmentindo simplesmente mais uma afirmação “equivocada” e apressada do senhor João da Mata.

    Basta ler o meu post acima para entender isso.

    Se isso não pode ser discutido aqui, num espaço dedicado aos debates intelectuais, sei não…

    Mas, vou ficar silente no que tange ao senhor João da Mata, como queira. Não tenho mais tempo a perder.

  2. Tácito Costa 8 de dezembro de 2010 10:32

    Prezados Lívio e Damata, peço aos dois para acabar com essa discussão, que se tornou pessoal e não tem nada mais a acrescentar aos demais leitores do blog. Acredito que este seja o sentimento dos demais pluralistas. Conto com a compreensão dos dois, intelectuais maduros e sensatos e que já deram mostras aqui de que prezam pelo nível do debate. abs.

  3. Lívio Oliveira 8 de dezembro de 2010 9:51

    Oh, Deus meu! O que fazer diante da ignorância e da teimosia contumaz? Nada. Nada mais a fazer. Espero, apenas, que o público leitor do SPlural esteja avisado quanto aos disparates e aleivosias intelectuais do senhor João da Mata Costa.

    Tem mais: argumento de autoridade não serve para mim. Li “Madame Bovary” e possuo edições em português e em francês da obra, inclusive com estudos anexos. Minha “pesquisa” foi, assim, algo quantitativa e qualitativa. E não foi de “ouvir falar”.

    Não quero saber de “curriculum vitae” de seu ninguém. Além disso, gostaria muito de ver honestidade e seriedade intelectuais nos meus contendores.

    Pelo jeito, Dom Quixote continua enfrentando moinhos de vento…

  4. João da Mata 8 de dezembro de 2010 9:09

    Livianas I

    DIL – Dicionário das Idéias de Lívio

    Comentários sobre meu post Literatura, sim: Escritor: Não

    Percebam as acusações e chistes

    Perdoa, Gustave! Perdoa!

    Horácio, camarada, suas indagações são bacanas. Eu também quero e espero pelas melhores respostas para elas, e de quem está obrigado a respondê-las. Mas, não estou com muita fé, não…Pelo visto, tem um certo EU que deveria se ausentar ao máximo…

    Responsabilidade e honestidade intelectual são sempre necessidades de primeira ordem. Há dados equivocados e/ou truncados que podem confundir e desinformar. E aqui é um espaço para a opinião que informa. Há de se ter alguma seriedade no trato dessas coisas. Inadmissível que numa só frase se tenha informações tão ambivalentes e teratológicas quanto um tamanduá com cabeça de anaconda.

    Mais provocações. Eu ausentar Horácio, camarada, suas indagações são bacanas. Eu também quero e espero pelas melhores respostas para elas, e de quem está obrigado a
    respondê-las. Mas, não estou com muita fé, não…

    Pelo visto, tem um certo EU que deveria se ausentar ao máximo…

    Questionando informação e ironizando a honestidade intelectual “. Pena
    que há alguns que o desafiam e o desobedecem, despudoradamente.”

    “Madame Bovary c’est moi.” (Gustave Flaubert)

    1. Andei pesquisando sobre a possibilidade de a frase não ter sido mesmo
    emitida por Gustave Flaubert. Nada encontrei nesse sentido. Ao contrário,
    confirma-se, a todo instante (até Otto Maria Carpeaux escreve nesse
    sentido – vide “As obras-primas que poucos leram”, org. Heloisa Seixas,
    Record, 2005, pág. 33), que a frase foi dita pelo mestre francês, quando
    de sua defesa na Sexta Corte Correicional do Tribunal do Sena, em
    decorrência dos escândalos causados pela publicação da famosa obra “Madame
    Bovary” (1857);
    2. O que o autor das palavras acima quis dizer com “…para se defender um
    pouco…”? Ora, acredito que o indivíduo se defende ou não se defende. Mas,
    “defender-se um pouco” é algo tremendamente indefinido e vazio. Será que
    Flaubert tinha alguma dúvida quanto aos termos de sua defesa, ou estava se
    defendendo a conta-gotas? Um pouco aqui, outro pouquinho acolá…
    3. Flaubert é mesmo exemplo para todos. Pena que há alguns que o desafiam
    e o desobedecem, despudoradamente.

    Lívio, o João da Mata é o nosso Harold Bloom.
    Horácio Oliveira
    Horácio, rapaz, deixe de maldade… Lívio

    Sobre a lista de escritores do Lìvio, sem nenhum critério. Ao final ele escrve
    Amo e oddeio

    Ligue não, João da Mata. Eu também estou fazendo uma lista que já vai com
    quase trezentos nomes; você vai entrar nela. Orlando Baracho tá faltando Hosório Almeida e João da Mata. Não precisa me bater, poeta valente.
    Orlando Baracho

  5. João da Mata 8 de dezembro de 2010 8:49

    Flaubert disse essa frase!

    Enquanto o professor Lívio estudou / pesquisou ( sic) sobre Flaubert num livro oriundo da antiga Revista Manchete. Um livro sem rigor científico nenhum. O J.M.C. participou na semana passada (na UFRN ) de uma palestra proferida por um dos maiores especialistas mundiais em Flaubert. Alguém que estudou toda a sua obra e manuscritos :

    Pierre-Marc de Biasi

    Pesquisador credenciado pelo CNRS (França), escritor, artista plástico, agrégé, doutor com formação acadêmica em literatura, filosofia e artes plásticas, Pierre-Marc de Biasi dirige atualmente o ITEM (Institut des Textes et Manuscrits Modernes), que congrega uma centena de pesquisadores voltados para a abordagem genética dos arquivos literários, artísticos e científicos. Com cerca de duzentos artigos científicos e trinta livros publicados, entre ensaios e edições críticas, Pierre-Marc de Biasi dedica-se principalmente, como pesquisador, à obra de Gustave Flaubert, à crítica genética, aos processos de invenção (literatura, ciências, arquitetura, cinema, artes plásticas), aos arquivos da criação, à história do papel, às relações entre cultura e técnica, ao léxico contemporâneo, à história da arte e das idéias (do século XIX ao XXI) e à edição digital de documentos complexos. Professor das universidades Paris 4-Sorbonne e Paris 7-Jussieu, Pierre-Marc de Biasi é ainda produtor na rádio France Culture e realizador de filmes para a televisão francesa.

  6. Lívio Oliveira 8 de dezembro de 2010 7:28

    Sinceramente, devo e vou manter esse debate nos limites da discussão de caráter intelectual e literário. Não quero e nem vou baixar o nível, partindo para questões pessoais/morais. Mas, nesses parâmetros de educação e etiqueta virtual, pretendo mostrar muito, muito mais sobre a produção frenética e contínua de uma “obra completa” pelo senhor João da Mata Costa.

    Tem tanta coisa…

    Aguardem.

  7. João da Mata 8 de dezembro de 2010 2:40

    Em Carpeaux tambem pode haver erro e enganos. Não é nenhum livro científico.

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