Mais um “Macbeth” na minha vida

“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, sem sentido algum”. Cena V, ato V de Macbeth.

Esse “Macbeth – Ambição e Guerra”, do diretor australiano Justin Kurzel, em cartaz até ontem (28), no Cinepólis, foi o quarto baseado na tragédia de Shakespeare que assisti. Os outros foram dirigidos por Orson Welles, Polanski e Kurosowa, que leva o nome de “Trono manchado de sangue”. Diretores – acredito – que dispensam apresentação.

Quase perdia essa nova adaptação. Não me interessei muito logo que entrou em cartaz, mas os amigos Demétrio Diniz e Carmen Vasconcelos viram, comentaram positivamente e me animaram a assistir no início da semana.
Não lembro de ter deixado de assistir um filme nas salas de Natal baseado no autor inglês. Com isso, busquei compensar a falta de peças teatrais do teatrólogo na cidade desde os anos que me entendo por gente.

Apesar disso, após consulta na internet (confira lista) constato que vi muito pouco, comparado com o que já foi lançado, dezenas e dezenas de filmes.  Não sei se foi sorte ou outra coisa, mas não me recordo de ter desgostado de nenhuma das versões que assisti ao longo da vida. Também só sendo mesmo muito incompetente ou presunçoso para estragar uma peça do dramaturgo. Ele tem resistido bem a algumas releituras desvairadas. Por uma razão simples, as montagens não podem ignorar o texto, a palavra, onde reside toda a força do dramaturgo inglês.

A força da obra desse gigante é tão soberba e nos diz tanto ainda hoje que se um diretor fizer um filme apenas com a tela em branco ou preto, sem nada mesmo, apenas o áudio das falas, mesmo assim ainda vale a pena pagar para ouvir. Shakespeare continua imprescindível 400 anos depois de sua morte. O que talvez justifique colocá-lo na seleta galeria de gênios da humanidade.

Eu gostei do filme de Justin Kurzel. Apostou num visual arrochado, bela fotografia e foi fiel ao texto e os figurinos, cenários etc remontam à época, nada de modernagens que resultam esquisitas. Achei, contudo, que poderia ter sido usada uma linguagem mais coloquial (um exemplo: uso do “tu” ao invés de “você”). O ator Michael Fassbender é convincente, faz um Macbeth com presença de cena marcante. Mas não tive a mesma impressão sobre Marion Cotillard, no papel de Lady Macbeth. O que, claro, não chega a comprometer o filme. Valeu muito a pena ter visto essa quarta versão.

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