Mais que um rasgão poético

Por Maria Clara Paiva

Rasga a alma respirar poesia
Rasga de amor. Rasga o pudor.
Rasga de dor. Rasga a dor.
Há poesia
Na voz rouca da artista que canta seu pesar pelas esquinas,
exalando seu perfume de cigarro por dentre seu sorriso
– confortado
pelos trocados, ali, deixados na caixa
revestida pelo veludo
Vê tudo. Vê, alma.
Poesia vivida transborda
Vida transborda poesia.
Transborda poesia? Viva!
Rasga o papel o sentimento intenso,
O peito latente clama por palavras não ditas.
Que se sinta. Que se seja o sentido.
Rasga as veias pulsar emoção
Molha os olhos decifrar a história
intrínseca às notas de um violino.
Da saliva confundida com o gole de café,
às cinco,
enquanto a chuva confundia o olfato
o ato, o tato, o fato.
Rasga a razão ser poesia – por ser emoção
Por ser tanto quanto ter: domínio sobre o que se é.
Que a poesia rasgue a alma,
desnude.
Mas que nunca,
nunca,
rasgue-se poesia.

Imagem: arquivo pessoal da autora.

Natural da Cidade do Sol. Estudante de Psicologia. Amante de prosa, poesia e música clássica. Contempla a beleza de um abraço apertado e da espontaneidade de um sorriso largo. Não dispensa um moleskine dentro da bolsa. Devaneia mais do que se acha à primeira vista. [ Ver todos os artigos ]

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