Manhãs como homem, de Maluz Maheros

manhãs têm nome de homem e medo de cão
atravessar o dia castanho sobre os zigue-zagues das tapeçarias

manhãs têm nome de homem e medo de água
comer os sinais escarlates do peito marulhoso

manhãs têm braços de homem e medo da solidão
as mãos quentes desmancham as pernas

manhãs têm gozo de homem e medo da tarde
alinhavar a carne com as pontas das unhas untadas

manhãs têm gosto de homem e gosto de medo
pelos aveludam a lambida, moinhos emaranham os cabelos

manhãs têm olhos de homem e medo de nada

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Josoaldo Ferreira 15 de setembro de 2020 10:33

    Que belíssimo poema! Surreal!
    Onde encontro livros da poeta?

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