Manhãs como homem, de Maluz Maheros

manhãs têm nome de homem e medo de cão
atravessar o dia castanho sobre os zigue-zagues das tapeçarias

manhãs têm nome de homem e medo de água
comer os sinais escarlates do peito marulhoso

manhãs têm braços de homem e medo da solidão
as mãos quentes desmancham as pernas

manhãs têm gozo de homem e medo da tarde
alinhavar a carne com as pontas das unhas untadas

manhãs têm gosto de homem e gosto de medo
pelos aveludam a lambida, moinhos emaranham os cabelos

manhãs têm olhos de homem e medo de nada

Comentários

There is 1 comment for this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × quatro =

ao topo