Manicacas no Frevo anima Centro Histórico na sexta de carnaval

O Baile a Fantasia que nos perdoe, mas o carnaval do Centro Histórico começa mesmo é com o bloco Manicacas no Frevo, que sairá nesta sexta-feira, dia 8. A concentração começa às 17h30 no Bar de Seu Pedrinho (por trás do Camelódromo), animada pela orquestra de frevo do Maestro Neemias Lopes, com 30 músicos. O cortejo sai pelas ruas do Centro Histórico a partir das 19h seguindo até o 4º Baile a Fantasia, promovido pela SAMBA – Sociedade dos Amigos do Beco da lama e Adjacências, que este ano acontece no Bar do Zé Reeira (ao lado do IFRN).
Em seu oitavo ano, o bloco segue homenageando foliões do Beco da Lama e Adjacências que se tornaram interplanetariamente conhecidos pela obediência cega às ordens de suas companheiras. Este ano, num pleito emocionante, a direção resolveu abrir um precedente perigoso e eleger não apenas um, mas dois Manicacas do Ano: os jornalistas Dionísio Outeda e Rudson Soares. Mas há de se compreender que não faltaram motivos para a dupla coroação.
Crônica da manicaquice alheia
Dionisio Outeda, assessor de comunicação da Capitania das Artes, já havia abandonado a vida noturna desde que resolveu se dedicar ao jornalismo esportivo (dizem que maquiavelicamente incentivado pela patroa). Suas noites, antes dedicadas ao arremesso de copos goela abaixo, passaram a ser dos gramados. Não podia ouvir ‘A Volta do Boêmio’ na voz de Nelson Gonçalves que chorava. Desenvolveu até uma técnica manicacal que há de fazer inveja a muitos: todo mês, ele transfere seus vencimentos para a conta da patroa e reserva apenas 20% para um cigarrinho e um guaraná – diet.
Este ano, porém, Outeda conseguiu uma sonhada e merecida folga durante a pré-temporada e se preparou para, numa quarta-feira à noite, assistir a um jogo de futebol de seu time do coração, o Peñarol, no habitat mais que apropriado a qualquer homem com um mínimo de dignidade marital. Botou seu chinelão de dedo, ligou a TV de 42 polegadas e abriu uma latinha de cerveja, enquanto as Norteñas alcançavam a temperatura ideal para degustação.
Em vão. Cinco minutos depois, chegou a patroa, Cinthia Lopes, e sugeriu (indelicadamente): “Amor, já que você está desocupado, vá ali ao supermercado fazer uma feirinha pra semana.” Obediente, foi. Chegando em casa, guardou as compras, lavou a louça do jantar e, teve sorte de assistir os últimos 5 minutos do jogo. Quase não deu tempo para o uruguaio reclamar pelo twitter.
Por sua vez, o companheiro Rudson Pinheiro, batalhador da comunicação sindical, não ficou por baixo. Ele saiu logo cedo para um tour etílico pelo Beco da Lama, acompanhado de uma tropa até terminar no Bar do Sapato. Lá, ombreado com o jornalista Rafael Duarte, digladiou-se com quatro porções generosas de carne de sol, duas galinhas caipiras e cerveja suficiente para regar generosamente o caminho do tira-gosto até as tripas. Na boca da noite (porque 10 da noite é sempre boca da noite no Beco da Lama), aparece no bar sua senhora, Mylena, convocando-o para se fazer presente em casa. Até aí, tudo normal na vida de qualquer manicaca.
Compadecido, Rudson convidou Rafael Duarte para adiantar a digestão estirado no sofá de sua casa. Porém, os anos de redação fizeram com que o Rafa desenvolvesse a capacidade felina de manter a audição atenta a fatos interessantes. E eis o diálogo que ele presenciou na residência dos Pinheiro: “Rudson, você esqueceu que mamãe chega amanhã para passar 15 dias aqui em casa? Vamos começar logo com essa faxina!”
Aliás, uma correção. Foi um monólogo, porque Rudson sequer esboçou reação: tratou de dar uma geral na casa, sozinho, até as cinco da matina – tendo inclusive que afastar o sofá com Rafael Duarte refestelado em cima, para tirar a poeira de tudo que era canto, sempre sob a supervisão atenta de sua adorável esposa.
Quando deu meio-dia, qual um herói grego, Rudson estava de pé para buscar a sogrinha – e três maravilhosos netinhos adolescentes. Antes, ele até tentou passar no Sebo Vermelho para aliviar Abimael Silva e Eugênio Soares do fardo de uma corda de caranguejo, mas cinco ligações misteriosas num intervalo inferior a 15 minutos o demoveram da intenção.
Por essas e outras, a coroa de Manicaca do Ano, o troféu Rolo de Macarrão e a coleirinha folia terão dois orgulhosos detentores no carnaval 2013. Vale lembrar que o Manicaca do Ano é entregue desde o terceiro ano da agremiação e já premiou os jornalistas Sérgio Vilar, Alex de Souza (bicampeão), o professor universitário Kilder Medeiros e o músico Tertuliano Aires.
Mas o negócio está ficando tão esculhambado que já há, inclusive, pré-candidatura para o Manicaca 2014 (te cuida, Everton Dantas). Imagina na Copa!
Manicacas no Frevo – 8º Ano
Sexta (08/02), a partir das 17h30
Saída: Bar do Seu Pedrinho (Rua São Tomé, por trás do Camelódromo)
Camisas a R$ 25,00 (mas não precisa pagar para brincar no bloco)
Contatos: Dorian Lima (9416.8016) e Julio Cesar Pimenta (8842.7101)

Jornalista, com passagem por várias redações de Natal. Atualmente trabalha na UFPB, como editor de publicações. Também é pesquisador de HQs e participa da editora Marca de Fantasia, especializada em livros sobre o tema. Publicou os livros “Moacy Cirne: Paixão e Sedução nos Quadrinhos” (Sebo Vermelho) e “Moacy Cirne: O gênio criativo dos quadrinhos” (Marsupial – reedição revista e ampliada), além de várias antologias de artigos científicos e contos literários. É pai de Helena e Ulisses. [ Ver todos os artigos ]

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