Manifesto pela popularização da ficção

Como noticiado em nota no Prosa e Verso de 27/02, dez escritores lançaram no Rio o Grupo Silvestre, com um manifesto “em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura”. Eles dizem que a ficção brasileira deve ser acessível a um número maior de leitores, e como meio de atingir esse objetivo defendem uma valorização da narrativa e a interdição dos jogos de linguagem. A íntegra do texto segue abaixo.

Nós, autodenominados “grupo silvestre”, signatários deste manifesto, apresentamos algumas propostas para a literatura brasileira contemporânea.

1. Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra.

2. Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo que perseguimos.

3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.

4. Os academicismos, jogos de linguagem e experimentalismos vazios não nos interessam. Respeitamos a produção que segue estes parâmetros, mas nosso caminho é inverso.

5. Estamos preocupados com a formação de leitores assíduos e frequentes para a ficção brasileira.

6. A literatura não pode se limitar a uma elite que dita regras, cria rótulos e se autoenaltece em resenhas mútuas, eventos e panelas.

7. O autor pode e deve se esforçar pela disseminação de sua obra, o que significa se envolver com a distribuição, o marketing e demais processos da produção.

8. Gostamos de enredos ágeis e cativantes. E valorizamos títulos que chamem a atenção do leitor e despertem a vontade de chegar até o livro.

9. Não colocamos o desejo soberano de ser lido como única origem do processo criativo. Mas queremos espaço para aqueles que têm tal desejo.

10. Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parcela da crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Rejeitamos esse maniqueísmo que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.

Assim, reunidos na Livraria da Travessa, no Leblon, Rio de Janeiro, aos dois dias de fevereiro do ano de dois mil e dez, subscrevemos este manifesto e inauguramos a ata oficial do grupo, com espaço para adendos e observações.

Lucia Bettencourt
Angela Dutra de Menezes
Celina Portocarrero
Luis Eduardo Matta
Felipe Pena
Thomaz Adour
Barbara Cassará
Halime Musser
Ana Cristina Mello
Marcela Ávila

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