Manoel de Barros na Vila de Ponta Negra somente neste domingo

Espetáculo Retrato do Artista Quando Coisa, da Cia Bololô, é inspirado em poema de Manoel de Barros

Foto: Tiago Lima

Por Tácito Costa

João da Mata já escreveu (aqui) sobre “Retrato do Artista Quando Coisa”, da Bololô Cia. Cênica, com direção da Cia. Luna Lunera, e os atores Arlindo Bezerra, Luana Menezes, Paulinha Medeiros e Rodrigo Silbat.  Também achei a montagem criativa e bela. Em alguns momentos ousada. O que me deixou ainda mais animado é que a Bololô é uma companhia nova (está no segundo trabalho), composta por jovens e já mostra a que veio.

O espetáculo materializa de maneira muito concreta o universo poético do poeta Manoel de Barros. Para isso, é fundamental o espaço onde o espetáculo é encenado. O que pôde ser comprovado pelo sagui que passeava minutos antes de a peça começar no topo da árvore fincada no quintal do espaço cultural.

Não figuro entre os fãs ardorosos de Manoel de Barros. Gosto de alguns poemas. Hoje, se for para ler uma fileira deles, um livro inteiro de uma lapada, sinto-me incomodado. Cansa-me um pouco aquele universo recorrente que ele trata. Parece-me que está escrevendo o mesmo poema sempre.

A título de exemplo (guardadas as proporções), na ficção isso ocorreu também com relação a Mia Couto, que acabei enjoando de ler.

Sei que no fundo tem aquelas histórias de que “o escritor escreve sempre sobre um tema” que lhe é caro, “que está sempre se repetindo” etc. Mas isso tem um limite, chega uma hora que esgota minha paciência, enche meu saco.

Como a montagem é um recorte bem feito da obra de Manoel de Barros, não se corre o risco de o espectador mais invocado (meu caso) não gostar. E importante, para aqueles que ainda não conhecem, pode representar a porta de entrada para a obra do poeta.

Então, vão lá e confiram. Vale a pena.

Hoje é o último dia da temporada, na Casa das Artes de Ponta Negra (rua São Mateus, 430 – Vila de Ponta Negra – no cruzeiro da vila tem uma faixa indicando o local). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: 2010 5980.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. demetriodiniz 2 de Abril de 2013 21:58

    Tácito, tudo que você disse acima está bem escrito e assino embaixo. Exceto com relação ao velho M. de Barros, que não me canso em ler. Parece a mesma coisa , mas não é. Parece que está dando voltas, e está sim, só que cada volta é um pouco diferente. De qualquer maneira ler M. de Barros naqueles livrinhos ilustrados é para mim uma gostosura. Mas fiz o comentário não foi por isso: foi para que você da próxima vez me ensine o endereço certo, para que eu não perca a viagem, como perdi, e só tenha notícia da peça através da leitura do seu texto. Por sinal bom, como sempre são todos. Abraço do amigão velho, Demétrio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP