Maria Rita Kehl/Entrevista

Como é possível conciliar viver em uma sociedade ao mesmo tempo extramente sexualizada e repressora? Muitos homens se perguntaram “o que querem as mulheres”, mas a pergunta agora parece ser: “o que a sociedade quer das mulheres?”

Me parece que o problema do excesso de erotização do corpo jovem (sejam homens ou mulheres) é uma característica da sociedade atual. Quando Geyse se defende dizendo “eu me visto como quero e como me sinto bem”, ela nem se dá conta de que está tentando corresponder ao padrão de hipersensualidade que vê na publicidade, nas novelas, nos filmes comerciais, etc. Mas até aí, se ela gosta, tudo bem. No entanto, o fato de ela ter sido a vítima no episódio bárbaro da Uniban não nos poupa de também criticar a falta de noção da moça. Existem convenções de comportamento, aparência, etc, que não são exatamente morais, mas ajudam a clarear o que se espera das pessoas em determinados ambientes. Ninguém vai a uma recepção de gala usando bermuda e camiseta a não ser que queira escandalizar, certo? Ninguém vai à faculdade de biquini porque chamaria tanta atenção que dificultaria o andamento das aulas. Será que os rapazes ficam sem camiseta na classe nos dias de calor, por exemplo?

Se a Geyse tinha uma festa mais tarde poderia ter levado o vestido na bagagem e trocado depois das aulas, mas pelo depoimento dela me parece que a moça não tem a menor noção da diferença entre, por exemplo, a faculdade e a balada. Ela me pareceu bastante tonta, ou até mesmo sonsa – não posso julgar porque não a conheço pessoalmente. Mas duvido que ela utilizasse o argumento “faço o que quero/uso o que gosto”, se em seu emprego o patrão exigisse um uniforme. Ou ainda, se a exigência de adequação correspondesse a uma distinção de classe: aposto que Geyse não iria a um casamento chic com uma roupa inadequada: ficaria super preocupada em saber o que se “deve” vestir na ocasião. Só que a Universidade – a Escola, em geral – é uma instituição muito desmoralizada atualmente, e ela se achou no direito de quebrar a convenção de um certo decoro no ambiente de estudo. É grave? Não. Merecia o que aconteceu? Absolutamente. Só quero dizer que ela me pareceu, em sua posição isolada, tão tonta e tão alienada quanto a turba que não soube dar uma expressão civilizada a seu descontentamento.

Leia a entrevista  completa no link abaixo.

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