Mário Chamie/Entrevista

O Brasil de Mário, como ele acreditava, era “o Brasil do boêmio, do padre e do milico”?

O conjunto de sua obra dá relevo a essas três vertentes que reúnem o boêmio, o padre e o milico. O boêmio liga-se a visão carnavalesca e arlequinal de que Mário se serve para aproximar a nossa cultura popular à nossa cultura literária. A peregrinação que Macunaíma faz do Uraricoera a São Paulo é sempre um corso, um séquito ou cortejo alegórico. O padre associa-se às nossas catequeses e escolaridades pré-universitárias, que nos remetem aos primórdios de nossa formação espiritual e artística. Dessa ótica, Mário vai de Aleijadinho ao padre Jesuíno do Monte Carmelo, passando pela junção da arte sacra de nossas igrejas barrrocas com a coreografia quase litúrgica de muitas de nossas danças dramáticas, descobertas e pesquisadas por ele. Quanto ao milico, o próprio Mário, em seu livro Losango cáqui, se faz de um recruta que se divide entre o bocejo da preguiça e a ordem de sentido prepotente.

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