Mario Vargas Llosa e conexões

Gostei do programa de entrevistas “Conexão Roberto D’Ávila” com o escritor peruano Mario Vargas Llosa. Passou ontem, por volta das 20 horas, na TV Brasil.

O Nobel de Literatura estava à vontade e esbanjando simpatia. Falou sobre sua infância, sua mãe, a vocação literária, viagens e mudanças (Llosa já viveu em, pelo menos 45 residências diferentes, em inúmeros países. Hoje, vive nos EUA, onde é professor).

A visão cosmopolita, por sinal, sempre permeou suas práticas e história: “Nunca me senti estrangeiro em nenhum país”.

Mario também cuidou de assuntos como política (e as eleições presidenciais peruanas, em que perdeu para o ditador Alberto Fujimori) e ideologia (teceu, como sempre, críticas à esquerda e elogiou a democracia vigente na América Latina, com as ressalvas inerentes ao tema).

Elogiou, com emoção, a Literatura Russa, a Francesa, a Inglesa. Também estabeleceu distinção para a Literatura de Língua Portuguesa (Euclides da Cunha é uma de suas paixões, vide “A Guerra do Fim do Mundo”, que trata do levante de Canudos, assim como em “Os Sertões”).

Também, por evidente, tratou do assunto do momento: o Nobel. Mario afirmou que nunca pensou em receber a premiação. Mas, não negou ter gostado, imensamente, da lembrança.

Acredito mesmo que o Nobel não mudará os rumos da história pessoal e da obra do grande Mario Vargas Llosa, um escritor que mantém, ainda, uma férrea disciplina para a produção de seus livros (trabalha de segunda a sábado sobre seus livros e dedica o domingo à escrita “periodista”, jornalística).

Mas, pensemos bem, veio em boa hora e trouxe mais elementos para a devida valorização da Literatura produzida na América Latina.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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