Meio termo

A questão do diploma mexeu com todo mundo. Tive de tranqüilizar minha mãe. Minha irmã também ligou para saber como as coisas irão ficar daqui pra frente. Fui tirar uma xérox na Ribeira e a mocinha – sem saber que estava falando com um jornalista – também comentou o assunto. Falante que só ela, disse que tinha vontade de fazer jornalismo porque é muito “comunicativa”, mas agora estava em dúvida.

Tranqüilizei a todos. Para a minha família disse que meus trabalhos na área estão mantidos, que é isso o que interessa para ela, se no final do mês terei o dinheiro para pagar as contas e a pensão dos meninos. Para a mocinha, deixei o meu incentivo, que ela continue com o seu sonho de fazer um curso e se tornar jornalista. As dificuldades para ela se empregar depois – com raras exceções – serão as mesmas de outras áreas.

Agora, confesso que estou meio zonzo com o tanto de textos que li sobre a decisão do STF. Li artigos com argumentos muito bons, favoráveis e contrários à obrigatoriedade do diploma. No meio disso tudo, uma minoria fechada num dogmatismo beirando às raias do fanatismo. Mas até esses pontos de vistas são bem vindos ao debate porque tem o outro extremo também e aí a gente pode tirar uma média de tudo que leu e formar uma opinião mais consistente.

Achei muito pobre, contudo, as opiniões que li em alguns jornais impressos da cidade. Opiniões de gente com e sem diploma. De uma indigência que me deu vergonha. O que prova que o diploma, muitas vezes, é apenas… um diploma. O material publicado na internet deu de goleada.

Embora sempre aberto ao diálogo e a mudar de opinião, caso seja convencido dessa necessidade, continuo com a mesma opinião manifestada no início do debate. Os diplomas deveriam ser exigidos e os cursos são muito importantes. Nesse momento é chute dizer que vai acontecer isso ou aquilo com a profissão. Eu prefiro esperar um pouco para ter uma noção mais clara da nova realidade.

Com relação ao mercado, bons jornalistas já atuavam sem diploma (Levino, Rubinho – para citar dois conhecidos nossos) – sempre foi assim. Acho que continuarão sendo exceções. Talvez cresça um pouco o número de profissionais de outras áreas que migrem para o jornalismo agora, mas nada preocupante. Os cursos continuarão sendo os principais formadores de jornalistas para o mercado.

Enfim, não comungo das visões catastróficas e nem otimistas demais, apregoadas em alguns artigos. Fico com o meio termo.

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