Memorex da Expoética

Por Plínio Sanderson

FRAGMENTOS DO TEXTO (encomendado FJA para jornal)

MEMOREX DA EXPOÉTICA

reminiscências de um brincante na celebração da musa poesia

1987 – 1º Pic-Nic dos Artistas na Praia dos Artistas

O Poeta Ensandecido teve a idéia de bebemorar o 14 de março, que caía justamente num sábado, realizando o 1º Pic-Nic dos Artistas na Praia dos Artistas. Conseguiu os ingredientes para a farofada e outros petiscos, o palco, o som, convocou a poetada através de um chamamento anárquico.

No dia, caiu uma hiperbólica tromba d’água e ao chegar ao local denotou que o som havia sido montado em outro palco (antigamente, a posse dos governadores acontecia em 15 de março, e assumiria o governo naquele ano Geraldo Melo, por isso tinha uns cinco palcos armados). A chuva torrencial não possibilitou condições técnicas para realização do evento e todas as comilanças foram levadas para o apartamento do Poeta onde os convivas se empapuçaram num festejo babetiano de arromba.

O detalhe curioso deste ano foi à nota do jornalista Woden Madruga ao publicá-la:

De Poesia
– Me entregaram uma chamada para um dito “1º Pic¬Nic dos Artistas na Praia dos Artistas”. Confesso minha burrice, que sabia enorme e antiga, mas não tanto assim: li e não entendí nada. Nonada. Absolutamente nada. Vejamos: “Para todos os artistas com e/ou sem talento”. “Não vá! Os artistas arteiem, punks panquekem, os atores ensaiem, os vagabundos bundeiem, os escritores expoetem-se, os inspirados pirem, as prostitutas gozem, os darks iluminem, as gatinhas amem-nos, os surfistas ondeiem, os políticos povoem, as musas usurem (…)”, e por aí afora. Tudo isso, meu anjo, para comemorar o “Dia Nacional da Poesia’”. Ei, será que essa gente já leu, um dia qualquer, um moço chamado Fernando Pessoa? Fato que terminou gerando a performance do “Desamarre o bode, Woden”.

1989 – Se Woden Madruga, Um Bode Poente

Em represália ao ato deselegante do jornalista, os Poetas Plínio Sanderson, Pedro Pereira e Abimael Silva (Sebo Vermelho), resolveram realizar uma sátira ao equivocado jornalista, que também era o presidente da Fundação José Augusto. O bode foi eleito pelos poetas e artistas de Natal, símbolo da caótica situação em que se encontrava a arte e a cultura na cidade e no estado, numa alusão a Woden (notório criador) e a gíria: “amarrar o bode”. Os Poetas sempre anárquicos e irreverentes, respondem com o humor dos happenings e performances, nas praças públicas ludicamente.

Desamarre o Bode da Cultura, Woden! Gritavam os poetas puxando o caprino pelos chifres. Os outros vates empunhavam cartazes e faixas, entre as quais: Se Woden Madruga, um bode poente! Ou ainda, “O ódio madruga na afundação cultural”. A Passeata Poética chamou a atenção dos pedestres que circulavam, um senhor vendo aquilo desabafou indignado: “é uma anarquia!”. Um poeta se apressou em explicar que se tratava de um protesto contra o abandono da cultura. Sindicalistas ali presentes olhavam com desconfiança as faixas como: “Poetariado, uni-vos!” e “A grave greve do Poeta grávido”, dessacralizando, com bom humor, as palavras de ordem esquerdistas. A passeata findou na Praça André de Albuquerque com outras performances e agitos culturais. O bode teve como fim o fundo de panela na casa do jornalista/camarada Luciano de Almeida.

Comments

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  1. João da Mata 1 de Março de 2011 22:20

    Eu lembro muito bem. E não quero esse bode no meu dia da poesia…

    Velho Bode / Sérgio Sampaio

    Bode…
    Eu não quero esse bode
    Esse bode é igual
    Àquele Carnaval
    Que eu passei sem você
    Vê se pode…
    Sustentar esse acorde
    Acordar pra saber
    Pra me reconhecer
    No minuto final

    Você foi um sucesso
    Na minha vida
    O meu lado do avesso
    O começo da minha vertigem
    A origem do meu velho nó

    Você é um fracasso
    Do meu lado esquerdo do peito
    Uma corda de nylon de aço
    Que arrebenta quando eu faço nó

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