[Memórias Afetadas] A vida imita Marte

Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, Daniel Boone, O Túnel do Tempo, A Feiticeira, Jeannie é Um Gênio, Os Waltons, Planeta dos Macacos, As Panteras, Kojak, Batman…

Almirante Nelson.

“Boa noite, John-Boy. Boa noite, Mary Ellen”

“Oh Céus! Oh dor”.

Sock! Pow! Crash!

Fess Parker. Mingo.

Nasci em 1964 e essas palavras acima quando se juntam fazem um reboliço grande na minha mente e no meu coração.

De baixo pra cima:

Fess Parker era o nome do ator que interpretava Daniel Boone. E eu, criança, desbravando de Pirangi do Norte a Pirangi do Sul, toda vez que eu atravessava o rio que divide as duas Pirangis me imaginava sendo Daniel Boone, e cantava a antológica canção da abertura do seriado de tv.

Mingo era o índio Cherokee, interpretado pelo ator Ed Ames, parceiro de Daniel Boone.

Sock! Pow! Crash! Foi algo inaugural pra mim, aquelas intervenções gráficas onomatopéicas do seriado Batman com Adam West e Burt Ward (Robin). Ah, existe um livro ”Sock! Pow! Crash! – 40 anos da série Batman da TV”, escrito por Jorge Ventura.

“Oh Céus! Oh dor”. Esta frase, do personagem Dr. Smith, tornou-se célebre no seriado Perdidos no Espaço.

“Boa noite, John-Boy. Boa noite, Mary Ellen”, marcava o término de cada episódio da série Os Waltons.

Almirante Nelson: esse nome ficou para sempre na minha mente, junto com o Capitão Crane. Eles me levaram para a aventura de desvendar os mistérios do oceano.

De todas essas séries eu tenho algo a dizer. Mas vou destacar algo muito especial de Viagem ao Fundo do Mar. A série protagonizou também para mim mais uma experiência lisérgica.

Quando minha avó morreu, vovô veio morar um tempo com a gente e um tempo com meu tio. E a casa de vovô e vovó foi vendida. Morávamos na mesma rua, no tranquilo bairro de Petrópolis, ainda com muitas áreas livres e alguns sítios. Nos novos habitantes da antiga casa de vovô e vovó havia um adolescente que gostava de samba e me mostrou muitos clássicos no violão. Acho que o pai dele era dono de uma padaria, um empresário que tinha boas condições financeiras. Então um dia meu novo amigo me mostrou uma novidade tecnológica impressionante para a época, uma coisa sensacional: uma espécie de tela de plástico transparente com três faixas horizontais coloridas que ao ser colocada na frente da tv preto & branco fazia com que a tv ficasse colorida. Porque assistíamos a essas séries quando a televisão era em preto & branco. Então imagine quando dava certo o azul da faixa com o azul do mar de Viagem ao Fundo do Mar! Acontecia uma viagem ao fundo de nós. Então, considero essa experiência também como mais uma experiência lisérgica.

Dizem que a vida imita a arte, e eu vou mais além, e digo que a vida imita Marte, nesse mergulho meta-eufórico profundo de descobertas eternas nos planetas da infância e adolescência. Como canta o mestre Gil: “mistério sempre há de pintar por aí”.

Poeta, cineasta, vocalista, performer e arquiteto [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo