Mensalão, seu danado!

Por Tião Carneiro

O homem ajeita a gravata, a mulher dá uma mexidinha nos óculos. Repórteres se concentram, julgadores meditam. Esperam o presidente da corte. Nos lares, os homens dão aquela coçadinha básica, as mulheres ajeitam algo. Vai começar o julgamento do século. “O maior escândalo da história”, na avaliação de reconhecida autoridade republicana.

11 magistrados julgarão 38 pessoas.

O Mensalão é notícia internacional. Ousadia teve de sobra na praia da devassidão ética. Certeza da impunidade despiu das acusadas o senso moral. Banhavam-se sem o mínimo de pudor nas águas da desfaçatez. O poder de polícia foi corrompido por meio de depósitos mensais de ajuda financeira. Dinheiro vindo de maracutaias, afirma a acusação. Mentira, diz a defesa: recursos vieram de sobras de mesadas.

Tudo veio à tona com a Comissão Puritana de Investigação – CPI – dos 6 centímetros. Apurou-se que as 38 acusadas usavam saias com mais de 6 centímetros acima do joelho, coisa proibida por lei. Deitavam e rolavam nas areias de 1922.

Certo é que D. Josefa Dirce, dada como a operadora da imoralidade, será a primeira a receber a sentença. Os boatos são de que a autoridade sistematicamente beneficiada, o encarregado da penosa medição joelhal, o Sr. Pill Torton, seja julgado à revelia, pois estaria viajando. De mais a mais, constatou-se que a fita métrica do Sr. Pill, cujo extremo superior era de 13 centímetros, estava travada nos 5. Daí que beldade alguma jamais seria punida.

Agora a nação aguarda o julgamento. Fora do majestoso tribunal, a população está de raidinho no ouvido. Torce para que as reticências da questão sejam substituídas por ponto final. De preferência. Bom…

Todos de pé. O presidente – da corte – acaba de chegar. Mal se sentam, viram-se para a entrada, porquanto o cheiro denuncia o corpo que caminha com a essência.

Imponente, charmosa, lindíssima, invejada, cobiçada, adorada. Assim ela estava e assim ela é. A musa do mensalão penetra no ambiente. A impressão, porém, é que é o ambiente quem nela adentra, tamanho o magnetismo.

Decepção geral. A deusa está absurdamente composta, vestida dos pés à cabeça. Nem sequer um milímetro acima do joelho ela mostra.

Nossa!

Obs. Prosa baseada em postagem do Sr. Fernando Rabelo, publicado no Substantivo Plural, endereço http://substantivoplural.com.br/seis-centimetros-acima-do-joelho/

Vale a pena ver as fotos, gente.

Um abraço e bom julgamento,

Tião

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