Mercedes Sosa e o ranço fascista da Veja

Por Bruno Ribeiro
Botequim do Bruno

Hoje, enquanto esperava passar a chuva, folheei uma antiga edição da Veja na recepção do prédio onde moro. Sei que expor suas barbaridades e seu ranço fascista é mais do mesmo ou, como diria Luiz Antonio Simas, “acender vela pra pouco defunto”. Mas o caso é que não pude deixar de falar do desrespeito da publicação para com a morte da cantora Mercedes Sosa, em outubro de 2009.

Mercedes Sosa, a maior intérprete argentina de todos os tempos, foi a voz que uniu as culturas da América Latina. Em seus discos gravava canções folclóricas e populares da Argentina, do Chile, do Uruguai, da Venezuela, da Bolívia, do Peru, do Equador, do Brasil, de Cuba… Enquanto viveu emprestou sua voz aos sem voz, aos pobres, aos oprimidos, aos solitários, aos perseguidos, aos desaparecidos e aos mortos das ditaduras. Manteve, toda a vida, uma forte conexão com a história das lutas democráticas de nosso continente.

Mas a abjeta revista Veja, em seu obituário (uma nota mínima, quase escondida), reduziu-a a uma “cantora de bumbo”. E não economizou nas ironias:

“Morreu Mercedes Sosa, a cantora de bumbo argentina, dia 4, aos 74 anos, de doenças associadas ao subdesenvolvimento latino-americano”.

Em memória à La Negra, agradecemos à vida. Aos hermanos argentinos: desembarco no sábado em Buenos Aires. Gracias!

Comments

There are 3 comments for this article
  1. Bethânia Lima 23 de Junho de 2010 16:45

    Mercedes é para sempre, e para todos os cantos e encantos do mundo. A Veja? um péssimo instrumento…

  2. Tânia Costa 23 de Junho de 2010 20:50

    Mercedes foi de uma enorme importância para todos nós que militávamos no movimento de esquerda: Espécie de bandeira. Sua voz sempre cantou a solidariedade global, à rejeição ao imperialismo norte-americano e à desigualdade social. Não só possuía uma linda voz como era uma grande interprete.

  3. Ednar Andrade 24 de Junho de 2010 15:12

    Mercedes vive na imortalidade da história e na alma dos que a amam. Permanecerá quente como a chama que fez arder nos corações dos que até hoje se inquietam pela sua tão notória passagem neste planeta imundo! GRACIAS A LA VIDA!

    Enquanto para a Veja o que importa são números, são cifras. A Veja não tem sentimentos. Ama e desama com a mesma facilidade, pois a sua lira é composta por cifras.

    Quaisquer de nós somos louvados ou apedrejados pela mesma.

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