Meridiano de Sangue

Acabei há pouco a leitura de Meridiano de Sangue, de Cormac McCarthy, relançado no ano passado pela Alfaguara, e fui conferir na net o que os críticos escreveram. Deparei com dois textos bem interessantes (links no final). Antes já tinha trocado impressões da leitura, via e-mail, com Rodrigo Levino, fã do escritor americano.

Uma obra marcante, sem nenhuma dúvida, que arrancou elogios rasgados de Harold Bloom. Violentíssima, porém, aviso logo, porque tem leitor que não suporta isso. Embora, paradoxalmente, com uma linguagem bastante poética.

Ficou na minha cabeça, até esse momento, como o livro mais violento que já li. Seus personagens remeteram-me aos grandes de Shakespeare, como Macbeth e Ricardo III, e também a Ilíada. Pode parecer desmedida a comparação, mas veio automaticamente. Bloom cita Faulkner e Melville como referências, o que não é pouco, convenhamos.

O juiz Holden, que não é o protagonista (e acaba sendo), rouba a cena. Lembrou-me o coronel Kurtz, de Apocalipse Now, de Coppola. Cormac também teve duas obras suas transpostas para o cinema, A Estrada, que entrou em cartaz no primeiro semestre deste ano, e antes Onde os fracos não tem vez, dirigido pelos irmãos Joel e Ehan Coen. Abaixo os links, resenhas das revistas Bula e Bravo.

aqui e aqui

Um dos trechos que sublinhei:

“A verdade sobre o mundo, disse, é que tudo é possível. Não o houvessem visto todos vocês desde o nascimento e desse modo o dissecado de toda sua estranheza ele se lhes revelaria tal como é, um truque com cartola num espetáculo mambembe, um sonho febril, um transe superpovoado de quimeras sem análogo nem precedentes, um parque de diversões itinerante, uma feira ambulante cujo destino último após incontáveis tendas erguidas em incontáveis terrenos barrentos é inexprimível e calamitoso além de todo entendimento. (Holden)

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