Mestre Vitalino Homenageado em SP

Exposição mestre Vitalino Na Barra Funda- SP

http://www.agencia.fapesp.br/materia/12037/mestre-vitalino-na-barra-funda.htm

O Centenário do mestre Vitalino foi comemorado no ano passado e uma exposição para homenagear o Artesão do Oitavo dia acontece em São Paulo/ Barra Funda.

Nascido no dia 10 de julho de 1909 no interior de Pernambuco próximo á cidade de Caruarú, foi nesta bela cidade que mestre Vitalino exerceu o seu ofício de transformar o barro em obras de artes. Um grande artesão-cronista dos costumes de seu povo. Deu forma a centenas de peças em formas de animais, carros de boi, casas de farinhas, bois, retirantes, cangaceiros, caçadores, bêbados e outros motivos do labor, costumes e tradições da rica cultura nordestina. Peças que iriam adornar museus no mundo inteiro e seriam disputadas por ávidos colecionadores.

Objetos frágeis qual o homem que as criou no Alto do Moura, uma pequena cidade tornada famosa pela arte de um grande mestre, seus familiares e muitos seguidores. A benção meus mestres Zé Caboclo e sua filha Marliete, Zé Rodrigues, Ernestina, Luis Antonio, Manuel Galdino e tantos outros artesões do oitavo dia. Uma arte universal com representantes em todo o Brasil.

No Alto de Moura, em Caruaru (PE) tudo lembra o mestre Vitalino. Algumas centenas de lojas de artesanatos e de artesões. A casinha de barro batido onde fica o Museu Vitalino e onde morou o mestre nos seus últimos anos de uma vida laboriosa de artesão e tocador de pífano. Vitalino teve uma prole de mais de quinze filhos e dos seis sobreviventes a maioria segue os passos e mãos do pai famoso. Um dos animais mais sagrados no nordeste é o boi e são famosos os bois do mestre Vitalino. Os filhos e pessoas famosas eram agraciados com uma dessas figuras míticas e únicas do mestre. Vitalino. Numa terra de atividade eminentemente pastoril e agrícola “as mãos produzem comida e a cabeça só produz confusão….”, sentencia o mestre. E continua: “Era mais importante que eu aprendesse a usar minhas mãos que minha cabeça”.

Mãos toscas que tecem sonhos, sulcam o barro do rio Ipojuca e perpetuam a saga de um povo bravo curtido pelo sol de uma zona tórrida e seca. É preciso tomar uma e o mestre Vitalino tomou todas. Uma vez reclamaram porque ele artesanou um soldado batendo num bêbado, Aí ele não teve dúvida e moldou o bêbado batendo no soldado. Uma vida breve vitimada por uma varíola aos 51 anos. Uma arte eterna que traz o sopro do criador que a tudo transforma. Bonecos que somos nós seres de sombras e luzes que dizem uma verdade. Evoé meu querido mestre.

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