meu norte é ontem

…e olha que o jorge ben jor já havia me avisado numa canção dos 70, mas eu fiquei assim, meio inerte, pensando que se tratava de uma nova e alvissareira época aquela que espocava ao norte e, aí, aí é que me enganei de todo, que o toldo caiu sobre o pessoalzinho enquanto outros estavam se pintando nos bastidores, ouvindo o pink floyd anunciar “the final cut”, no momento em que hannibal lecter engolia um cérebro lobotomizado com aftosa, cenários foram devastados e só restaram aquelas meninas e meninos com nariz de palhaço, enquanto um fascista rondava a casa, armado até os dentes e com a pança de mamute guardada pelas calças compridas, porque calças curtas ficaram para o uso exclusivo das forças armadas de mombaça, meu compadre e amigo, que é quem respeito, porque jovem merece respeito, enquanto se dança nu na calçada, desavisadamente, celebrando que ainda há espaço por aqui, do lado direito ou do lado esquerdo, escolha e se aproxime, porque enquanto o editor deixar, as águas vão mesmo rolando, e não há quem evite a vontade alheia, que nasce num jorro, após o chimarrão com boldo do chile, que é para esquentar mais o jogo que alguns não sabem jogar, mas, tem nada não, pura ilusão, querer ser o dono do mundo e comer banana ao mesmo tempo, é como assoviar e tomar cana 51, pois a mineira tá tão cara, não dá não para ir a tabatinga e voltar no mesmo dia, e ainda administrar o meu ego que é menor que o dele(s) e dela(s), mas tão portentoso quanto, porque aqui é o espaço mesmo dos egos, inflados, inflacionados, banalizados, embananados, com substância, com ais e uis, com choro e com vela, e com fita amarela, e penso em trazer o zé do poço para cantar em minha festa de são joão: “tem alguma coisa querendo sair de dentro de mim”, posto que é um clássico moderno que o inde(s)cente inocente ainda teima em escutar, mesmo sabendo que zé do poço não é a vã guarda que todos esperam para este lugar, porque aqui é tempo e espaço de gente inteligente, gente produtiva, que só se encontra por aqui, muito antes da construção da fortaleza dos reis e do meu bunker particular, e, enquanto ouço e vejo cecilia bartoli, com seus lábios em coração vermelho, como os de anne, eis que  o brutamontes pesadão continua rondando a casa, com sua roupa toda preta e seus cabelos engomadinhos, será que vai matar? mas, eu vou mesmo é me importando com a formatação de tudo isso, a tal da poesia (poeta é a mãe! eu sou mesmo é prosopoeta prosopopáico ou péico), para obedecer ao  filho pródigo que voltou e ao meu abade de canterbury, porque o meu florentino palumbense preferido vez ou outra dá suas lições, dá as caras, mas vai logo embora, é um mestre da fuga, e está certo, por contas de quê? porque gil já nos convidou a fugir desse lugar comum, baby, há muito tempo, quando o fascistóide – fiquemos todos juntos e protegidos – ainda não rondava a mansarda (parnasiana ou não?), em busca de ossos, pele humana e um minuto de atenção…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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