MinC 2011, um clássico do retrocesso

Por Carlos Henrique Machado Freitas
NO TREZENTOS

Assistimos a uma tragédia shakespeareana em 2011 na cultura brasileira. A protagonista, ministra Ana de Hollanda, construiu uma narrativa que foi uma angústia só em sua mal desenhada gestão. Arrogância, desprezo com a sociedade, censura, enfim, podemos começar dizendo que, entre muitos absurdos, o vínculo da ministra com o Ecad produziu um estado de exceção confirmando o adultério do MinC com o universo da cultura brasileira.

Para o PT ficou claro o suicídio político já que Ana é afilhada do partido, revelada por Antônio Grassi e também por um outro escudeiro do partido, Vitor Ortiz. 2011 foi um ano em que o MinC não trouxe nenhum benefício à cultura brasileira e não conseguiu sair da boca de cena de uma crise que se desenhou logo nos primeiros bordados sentimentalistas da ministra em prol do “criador” .

A retribuição e o tratamento tão gentil da ministra com o Ecad e com os impregnados vícios dos senhores da Lei Rouanet, beneficiando justo quem quer lucrar sem produzir, o ministério foi a imagem patriarcal da casa grande. Familiarmente chamada de “Ministra do Ecad”, Ana de Hollanda colocou todo o lixo corporativo nos lugares mais altos do ministério. Assim construiu uma crise que deixou o MinC isolado em uma ilha destruída pela ideia decadente de nobreza da ministra e dos latifundiários da cultura.

Na realidade o cunho administrativo do MinC de Ana foi decorado por uma monarquia absolutista. A cultura do povo brasileiro foi tratada com proibição num conceito de colônia. Do outro lado, muito conforto aos canastrões e todo um abrigo perfeito de financiamento direto às feiras de negócios das editoras nacionais e internacionais.

Por mais que alguns medalhões tentassem blindar a ministra na mídia, a eminente insurreição contra ela pedia a sua exoneração. Já a ministra, dizendo-se despreocupada, tripudiava as críticas as quais ela classificava como “inveja dos que perderam a boquinha”, rejeitando qualquer auto-crítica já que tinha o apoio dos gestores corporativos e do cartel do Ecad.

Até hoje ninguém sabe explicar a finalidade de se destruir um programa revolucionário como o Cultura Viva, com uma interrupção violenta da relação do MinC com os Pontos de Cultura. Uma coisa é certa, perfilado com o pensamento mais reacionário e vulgar, a gestão atual do MinC jamais quis a prática social. Alguns costumam classificar o MinC de “o representante da ACTA no Brasil, tal o esforço da ministra em dar um ilustre tratamento aos interesses da indústria fonográfica multinacional.

Não tivemos debates, apenas murmúrios frequentados por medalhões numa espécie de comissão colonial. Dali foi erguida uma constituição grosseiramente generosa com as corporações e uma centena de mecanismos para desprezar a identidade e a diversidade da cultura do povo brasileiro. Foi mesmo uma guerra, e os generais do MinC utilizaram todos os seus artifícios para tentar influenciar a opinião pública contra os ventos populares da nossa cultura.

Se na era Gil e Juca, a cultura do povo era a grande protagonista, na constituição de Ana de Hollanda esse manancial fraterno e mobilizador foi jogado à condição de mero espectador. Tudo feito por decreto. Por isso a relação entre o MinC e a sociedade foi negativamente eletrizante.

E agora, o que se espera para a restauração do MinC, em estado politico precário, é que um(a) outro(a) ministro(a) com sensibilidade retome as particularidades características de nossa cultura, sobretudo entendendo que cultura não é uma unidade monetária e que, portanto, nem tudo é mercadoria, mas principalmenten entender que o Ministério da Cultura não é uma alfândega. Enfim, sonhamos com um outro inventário, longe deste ano de guerra cultivado por um ministério que frequentou as manchetes, sobretudo nas redes sociais, aonde foi salientada a falta de princípios, a falta de orgulho cívico e o respeito à cultura brasileira que a gestão de Ana de Hollanda fez questão de sublinhar. Que venha 2012 com um novo ministério! E que os movimentos populares voltem a ser os protagonistas e que a partir deles uma semente de evolução seja restabelecida para que tenhamos uma mensagem de esperança na construção de um novo Brasil.

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