“MinC está cada vez mais unido”, garante Sérgio Mamberti

Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

Por Claudio Leal
NO TERRA MAGAZINE

Atuante no ministério da Cultura (MinC) dos governos Lula e Dilma, o secretário de Política Cultural, Sérgio Mamberti, avalia que, com a ministra Ana de Hollanda, a pasta deixou de ser um “arquipélago” para se tornar um “continente”.

Em conversa com Terra Magazine, durante a abertura das exposições “Hereros” e “Primeira coleção de um acervo em perspectiva” (do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, da Bahia), em Brasília, Mamberti comemorou o andamento do Plano Nacional de Cultura (PNC), rebateu as críticas ao MinC e comentou a demissão da secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Marta Porto, que se desentendeu com a ministra. Ele não acredita em mudanças num dos principais legados da gestão anterior: “Os pontos de cultura são um projeto estratégico, nas palavras da própria presidenta e da própria ministra”.

“Olha, isso aí são problemas que fazem parte do cotidiano de uma instituição. A Marta é uma pessoa que teve uma grande atuação. A Marta é uma pessoa que participou, que teve um papel importante na construção do projeto do governo Lula durante esses anos todos. Mas é que às vezes existem problemas, vamos dizer, de relacionamento, que acabam muitas vezes não permitindo essa continuidade”, garante Mamberti.

Instituído pela Lei 12.343, de 2 de dezembro de 2010, o PNC foi submetido a consultas para definir suas metas nos próximos dez anos. O texto final será apresentado em dezembro. “Uma plataforma vai ficar (no ar) durante um mês para as sugestões finais. A partir disso, nós vamos consolidas todas as sugestões”, diz o secretário.

Mamberti acrescenta: “Tem todo um processo de transição que nunca é fácil, mas, de qualquer maneira, o ministério está cada vez mais unido, mais junto. Temos nos reunido bastante. Agora, acho que a ministra está se apropriando desse legado e procurando dar a sua contribuição”. Uma reunião da presidente Dilma Rousseff com a ministra Ana de Hollanda está prevista para a tarde desta quinta-feira (15).

Confira os principais trechos da entrevista do ator Sérgio Mamberti.

Plano Nacional de Cultura

“Coube a nós a execução do Plano Nacional de Cultura. A regulamentação foi sancionada pelo presidente Lula e agora nós estamos no trabalho de construção das metas. Temos trabalhado com as prioridades definidas nas conferências de cultura. A metodologia foi aprovada à luz do Conselho Nacional de Política Cultural e agora vamos fazer o lançamento nacional da primeira versão das metas. O conselho é composto por representantes da sociedade civil. Uma plataforma vai ficar durante um mês para as sugestões finais. A partir disso, nós vamos consolidas todas as sugestões. Vamos fazer uma grande oficina dentro do MinC e aí vamos apresentar mais uma vez, no final de novembro, ao Conselho Nacional de Política Cultural e, no dia 2 de dezembro, lançamos as metas. São as metas para a cultura nos próximos dez anos.”

“As duas conferências nacionais de cultura priorizaram o Plano Nacional de Cultura. A partir de 2005, quando foi aprovado o projeto no Congresso, nós começamos a trabalhar com todas as instâncias da sociedade civil e saiu uma versão final que foi sancionada pelo presidente Lula em 2 de dezembro de 2010. Isso faz parte de todo um projeto que vem desde o início da gestão, quando Gil assumiu, colocando a fragilidade institucional da cultura. Nós perseguimos isso, eu posso dizer porque estou desde o início… A cultura precisa também ter esse papel estratégico”.

Demissão de Marta Porto

“Olha, isso aí são problemas que fazem parte do cotidiano de uma instituição. A Marta é uma pessoa que teve uma grande atuação. A Marta é uma pessoa que participou, que teve um papel importante na construção do projeto do governo Lula durante esses anos todos. Mas é que às vezes existem problemas, vamos dizer, de relacionamento, que acabam muitas vezes não permitindo essa continuidade. Todos nós do ministério temos respeito pelo trabalho dela, acho que ela vai poder dar contribuições, inclusive, para o ministério. Certamente, vamos estar juntos.”

Arquipélago e continente

O ministério hoje está trabalhando cada vez mais numa sinergia, fora das caixinhas, entendeu? Muitas vezes, as pessoas falavam assim: o ministério precisava deixar de ser um arquipélago para ser um continente. E esse tem sido o grande esforço da ministra. Criar um sistema único. A ministra Ana de Hollanda assumiu no sentido de fazer cumprir todas as ações para que se transversalize (a política cultural).”

Crise no MinC

“Eu vou me reportar ao início da gestão de Gil. Havia um incômodo até mais agressivo. Era a chegada de um músico… E foi um gestão brilhante, todos nós tivemos a honra de acompanhar. Juca (Ferreira) começou como secretário-executivo e depois virou ministro. Então, a ministra Ana de Hollanda herda uma missão de dar continuidade, mas continuidade avançando. Tem todo um processo de transição que nunca é fácil, mas, de qualquer maneira, o ministério está cada vez mais unido, mais junto. Temos nos reunido bastante. Agora, acho que a ministra está se apropriando desse legado e procurando dar a sua contribuição, construindo um processo muito rico. Tenho certeza que vai dar esse avanço esperado pela área cultural.”

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