Minhas descobertas potyguares – I

system-attica

Porque sou fresco,
hábil, lépido,
a gerontocracia sente medo,
se arrepia
como um rato.
Cospe leis, editos, atos.
Se agasalha, modorrenta, rouca,
recusa
na cadeira de balanço
botando graxa
na dobradiça das pernas.
A tosse, a vista cansada,
a velha despótica me espreita.

Quando exibo meu porte,
meu corte,
me chama de trans
viado
me cobra pedágio – a doida
quer me ver casado,
parindo mão-de-obra
para eternizá-la.
Para destruí-la, esterilizo-me.
Minha práxis.
Por puro capricho
me amedronta, me persegue, me degrada.
Nego, renego, faço ouvido mouco.

Se me encontra pela rua
madrugada
quer violentar-me,
ver meus documentos,
me revista e se delicia
apalpando minhas partes,
pensa em coito.
Nego, renego, abomino.
E ficamos eternamente
nessa cachorrada.

Quer me tributar,
me chupar – foder-me
porque sabe que é maravilhoso
ser fresco
como um dia de domingo
ensolarado e pendurado
no varal.

[Paulo Augusto, Falo, Ed. Sebo Vermelho, 2003.]
*

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