Mini manual para homens que lutam contra a cultura do estupro

Mini manual para homens que lutam contra a cultura do estupro – Pequenas lições que aprendi ao longo da caminhada.

O que nós homens cis podemos fazer para contribuir com a luta contra a cultura do estupro?

1. Reconhecer nosso machismo de cada dia, prestar atenção na maneira como se manifesta em nossos pensamentos, nossas palavras e nossas atitudes e desconstruir aos poucos os hábitos mentais, linguísticos e comportamentais que o reproduzem.

2. Repudiar com veemência todos os comentários, piadas, expressões e atitudes (cantadas, fiu-fius, secar mulheres, inferioriza-las nas falas, etc.) machistas de terceiros que presenciarmos. Esse repúdio, porém, só vai ser legítimo se reconhecermos que nós mesmos somos machistas e operarmos um trabalho diário e árduo de desconstrução; caso contrário, é hipocrisia.

3. Apoiar politicamente as lutas feministas em todos os âmbitos, participando dos atos, manifestações, discussões e demais ações que forem promovidas para combater o machismo.

4. Promovermos em todos os âmbitos nos quais atuarmos (casa, ambientes de trabalho, redes sociais, etc.) discussões, reflexões e outras atividades que estimulem a autopercepção do nosso machismo e a consciência de todos os tipos de violência que as mulheres sofrem cada dia.

O que nós homens cis NÃO podemos nem devemos fazer, mesmo que desejarmos combater e cultura do estupro?

1. Achar que nossa desconstrução é completa ao invés de um processo permanente, ou seja, cultivarmos a arrogância/presunção de pensar que não somos machistas, que os machistas são sempre os outros.

2. JAMAIS pretender assumir protagonismo nas lutas contra o machismo ou arrogarmos o direito de falar pelas mulheres, já que não sofremos no dia a dia as opressões que uma mulher sofre (aliás, muitas vezes – conscientemente ou não – as praticamos) e nunca teremos como nos colocar de fato no lugar de fala delas.

3. JAMAIS arrogarmos o direito de julgar ou classificar o que seria ou não seria feminismo, quais lutas feministas seriam ou não seriam legítimas, o que é e o que não é opressão/violência para uma mulher, como se deve ou não enfrentar o machismo e etcétera. Somente quem vive as opressões machistas, as experiencia como tais e se constitui como sujeito político na luta contra elas tem o direito de determinar isso tudo: só as mulheres têm direito de dizer o que é opressão ou não para elas, como entendem o feminismo (com todas as divergências, embates, dialéticas que a construção/luta coletiva envolve), quais lutas são necessárias.

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